Forma de arte
A fotografia africana
A fotografia chegou à costa africana poucos anos depois de ter sido inventada, e no final do século XIX já havia fotógrafos africanos com estúdios nas cidades costeiras da África Ocidental. Os retratos de estúdio de Seydou Keïta e Malick Sidibé em Bamaco, os fotógrafos documentais que enfrentaram o apartheid na África do Sul e artistas contemporâneos como Zanele Muholi fizeram da fotografia africana um dos conjuntos mais admirados deste meio.
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Os primeiros fotógrafos africanos
Já nos anos 1840 havia fotógrafos a trabalhar na costa da África Ocidental, e na segunda metade do século XIX fotógrafos africanos abriram os seus próprios estúdios em cidades como Freetown, Acra e Lagos. Famílias como os Lutterodt, ativos ao longo da Costa do Ouro, e fotógrafos como Neils Walwin Holm em Lagos faziam retratos para uma classe média urbana em crescimento. As suas imagens mostram africanos a escolher como queriam ser vistos, numa época em que a maioria das fotografias de África era tirada por estrangeiros.
Os grandes estúdios
Depois da Segunda Guerra Mundial, o retrato de estúdio tornou-se uma arte popular em todo o continente:
- Seydou Keïta (c. 1921–2001) fotografou Bamaco entre 1948 e 1962 diante de fundos estampados, com adereços que permitiam aos modelos encenar a modernidade.
- Malick Sidibé (1935–2016) acompanhou os jovens de Bamaco nas suas festas dos anos 1960 e foi o primeiro fotógrafo a receber o Leão de Ouro de carreira da Bienal de Veneza.
- James Barnor (nascido em 1929) teve o estúdio Ever Young em Acra nos anos 1950, fotografou para a revista Drum e trabalhou em Londres nos anos 1960.
- Sanlé Sory (nascido em 1943) fotografou a juventude e a cena musical de Bobo-Dioulasso, no Burkina Faso, a partir do seu estúdio Volta Photo.
- Samuel Fosso (nascido em 1962), radicado em Bangui, na República Centro-Africana, começou a fotografar-se a si próprio no seu estúdio ainda adolescente, nos anos 1970, e fez do autorretrato encenado a obra da sua vida.
Na Nigéria, J.D. 'Okhai Ojeikere (1930–2014) passou décadas a fotografar penteados de mulheres — mais de mil imagens, iniciadas em 1968 —, criando um arquivo que é ao mesmo tempo antropologia e escultura.
A fotografia contra o apartheid
Na África do Sul, a revista Drum, fundada em 1951, deu palco a fotógrafos e escritores negros. Peter Magubane (1932–2024) documentou a luta contra o apartheid, incluindo a revolta do Soweto de 1976, e foi preso por causa do seu trabalho. Ernest Cole (1940–1990) partiu para o exílio e publicou House of Bondage (1967), um testemunho arrasador da vida quotidiana sob o apartheid, proibido na África do Sul. David Goldblatt (1930–2018) fotografou com precisão paciente as estruturas e as paisagens do apartheid, e Santu Mofokeng (1956–2020) voltou-se para a memória, a crença e a terra.
A 16 de junho de 1976, Sam Nzima fotografou no Soweto o jovem Hector Pieterson a morrer, uma imagem que correu o mundo. No início dos anos 1990, quatro jovens fotógrafos conhecidos como o Bang-Bang Club — Kevin Carter, Ken Oosterbroek, Greg Marinovich e João Silva — cobriram a violência nos townships antes das eleições de 1994. Mais a norte, o queniano Mohamed Amin fotografou e filmou a atualidade da África Oriental durante três décadas; as suas imagens da fome na Etiópia em 1984 deram origem ao Live Aid. Na Somália, em 1993, o fotógrafo da Reuters Dan Eldon, de 22 anos e criado em Nairobi, foi morto com três colegas; os seus diários de colagens deram um livro e um filme.
Fotógrafos contemporâneos
Zanele Muholi (n. 1972), ativista visual, documenta e celebra as comunidades LGBTQIA+ negras da África do Sul; a série de autorretratos Somnyama Ngonyama está entre as obras fotográficas mais conhecidas do século. Omar Victor Diop (nascido em 1980, Senegal) reencena retratos históricos de africanos da diáspora posando ele próprio. Aida Muluneh (nascida em 1974, Etiópia) cria imagens a cores vivas e encenadas e fundou o Addis Foto Fest. Lebohang Kganye (nascida em 1990, África do Sul) trabalha com as fotografias da sua família. A fotógrafa franco-marroquina Leila Alaoui (1982–2016) fez uma célebre série de retratos, Les Marocains, e Yto Barrada (nascida em 1971) fotografou Tânger como uma sala de espera da Europa em A Life Full of Holes: The Strait Project. Em Londres, o fotógrafo autodidata nascido na Nigéria Misan Harriman fotografou os protestos Black Lives Matter de 2020 e, em setembro, tornou-se o primeiro homem negro a fotografar uma capa da British Vogue.
Festivais e colecionismo
Os Rencontres de Bamako, a bienal africana de fotografia fundada em 1994, continuam a ser o evento central; seguiram-se o LagosPhoto e o Addis Foto Fest, ambos fundados em 2010. Veja o nosso guia de feiras e bienais de arte africana. Se coleciona, aprenda a diferença entre provas de época e impressões posteriores — como comprar arte africana explica porque é importante.
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