Fotojornalista · África do Sul
Ken Oosterbroek
Ken Oosterbroek (1962-1994) foi um fotojornalista sul-africano, fotógrafo-chefe do diário The Star de Joanesburgo e um dos quatro membros do Bang-Bang Club. Distinguido duas vezes como fotógrafo de imprensa do ano na África do Sul, foi morto a tiro no township de Thokoza a 18 de abril de 1994, nove dias antes das primeiras eleições democráticas do país.
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The Star
Ken Oosterbroek fez a carreira no The Star, o maior diário de Joanesburgo, nos anos em que o fim do apartheid se disputava nas ruas. Foi eleito fotógrafo de imprensa do ano na África do Sul em 1989 e de novo em 1991, e em agosto de 1991 tornou-se fotógrafo-chefe do jornal. Em 1993 recebeu um segundo prémio no concurso World Press Photo, na categoria de reportagens de atualidade.
Os colegas recordavam-no como o mais organizado e ambicioso do grupo: um fotógrafo que planeava, que estudava a luz e a composição, e que puxava pelos que o rodeavam.
O prémio de 1993 foi por uma reportagem, e não por uma imagem isolada: o World Press Photo atribuiu um segundo prémio, na categoria de reportagens de atualidade geral, a um conjunto das suas fotografias, e as imagens dessa participação estão na coleção em linha do concurso.
A guerra dos townships
A partir de 1990, os townships a leste e a sul de Joanesburgo foram o centro de um conflito entre apoiantes do Congresso Nacional Africano e do partido Inkatha, muitas vezes atiçado por elementos das forças de segurança. Oosterbroek cobriu-o dia após dia com Kevin Carter, Greg Marinovich e João Silva — o grupo a que uma revista chamou «Bang-Bang Club». A sua história é contada no nosso guia do Bang-Bang Club.
Dois tipos de imagem
Oosterbroek é lembrado pela guerra dos townships, mas uma exposição de 2024 no Museum Africa, em Joanesburgo, Ken Oosterbroek Killed in Action, mostrou mais. Com curadoria de Dudu Madonsela, do Ben Susan Museum of Photography, para o trigésimo aniversário da democracia sul-africana, colocava as cenas de violência do início dos anos 1990 ao lado de imagens ternas da vida quotidiana. Ao olhar para o seu trabalho, procure o segundo tipo tanto como o primeiro: as pessoas que viviam junto aos combates e as cenas comuns que os rodeavam. Vale a pena compará-lo com a fotografia de imprensa sul-africana anterior de Sam Nzima e Peter Magubane: essa comparação é uma leitura própria deste sítio, não uma afirmação de influência.
Thokoza, 18 de abril de 1994
Na manhã de 18 de abril de 1994, os quatro fotógrafos foram a Thokoza, onde apoiantes do Inkatha nos albergues trocavam tiros com a Força Nacional de Manutenção da Paz, uma unidade criada para manter a ordem durante as eleições. Oosterbroek foi atingido e morreu; Marinovich ficou gravemente ferido na mesma rajada. O Comité para a Proteção dos Jornalistas, que o incluiu entre os jornalistas mortos em 1994, registou como fonte suspeita dos disparos responsáveis militares e identificou-o como fotógrafo-chefe do The Star.
A sua morte, nove dias antes de os sul-africanos votarem juntos pela primeira vez, tornou-se um dos símbolos do preço pago por quem documentou a transição. As eleições realizaram-se a 27 de abril e Nelson Mandela tornou-se presidente no mês seguinte.
Legado e onde ver a obra
As fotografias de Oosterbroek continuam a ser, a par das dos seus colegas, um registo essencial da violência do início dos anos 1990. Foi homenageado com exposições: uma mostra em sua memória no Freedom Park, em Pretória, em 2014, e a de 2024 no Museum Africa, em Joanesburgo, aberta até setembro desse ano. O Ben Susan Museum of Photography fica no piso superior do Museum Africa, em Newtown; pergunte-lhe o que está em exposição agora. As imagens do seu prémio World Press Photo de 1993 podem ver-se na coleção em linha do concurso. A história do Bang-Bang Club foi contada por Marinovich e Silva no livro The Bang-Bang Club (2000) e no filme homónimo de 2010. Para uma história mais ampla, veja a fotografia africana e a nossa lista de fotógrafos sul-africanos.

