Fotojornalista · África do Sul
Sam Nzima
Sam Nzima (1934-2018) foi um fotojornalista sul-africano cuja fotografia do estudante Hector Pieterson, levado nos braços por Mbuyisa Makhubo depois de a polícia ter disparado sobre alunos no Soweto a 16 de junho de 1976, se tornou uma das imagens decisivas da luta contra o apartheid. Perseguido pela polícia de segurança, Nzima teve de se esconder e abandonou a fotografia de imprensa.
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The World
Sam Nzima nasceu a 8 de agosto de 1934 em Lillydale, na zona de Bushbuckridge, hoje em Mpumalanga, onde o pai trabalhava numa quinta. Em 1968 o The World ofereceu-lhe um emprego de fotojornalista a tempo inteiro. Em 1976 era fotógrafo do The World, um jornal de Joanesburgo com um grande público negro, sobretudo em Soweto. Cobria a vida e a política do township, numa época em que a maior parte da imprensa branca ignorava ambas.
16 de junho de 1976
Na manhã de 16 de junho de 1976, milhares de estudantes do Soweto marcharam contra uma ordem do governo que impunha o africânder em metade das disciplinas. A polícia abriu fogo. Nzima viu um jovem, Mbuyisa Makhubo, a correr com o corpo de um estudante nos braços, com a irmã do rapaz, Antoinette Sithole, a correr ao lado, de mão levantada e rosto desfeito pela dor. O rapaz era Hector Pieterson. Morreu pouco depois.
Nzima tirou uma curta série de imagens. Retirou o rolo da câmara e escondeu-o na meia. O The World pôs uma das fotos na primeira página poucas horas depois, os jornais britânicos publicaram-na no dia seguinte e em poucos dias tinha sido reproduzida em todo o mundo. A fotografia foi tirada perto da esquina das ruas Moema e Vilakazi, em Orlando West, junto à escola secundária Phefeni. Como olhar para ela: a imagem é construída com pessoas em movimento, o jovem que leva o rapaz e a irmã do rapaz a correr a seu lado, de mão erguida, e é fácil esquecer que cada um é uma pessoa com nome: Mbuyisa Makhubo, Antoinette Sithole e Hector Pieterson. As fontes dão a idade de Hector Pieterson como 12, 13 ou 14 anos. Transformou o levantamento de Soweto — e a resposta do Estado do apartheid às crianças — numa história que nenhum governo conseguia desmentir.
O preço
A fotografia fez de Nzima um alvo. Acusado de dar uma má imagem da África do Sul, foi perseguido pela polícia, deixou Soweto e voltou a Lillydale, onde foi vigiado e disse ter estado em prisão domiciliária durante um ano e meio. As fontes divergem quanto ao encerramento do The World, que uma situa em 1978 e outra diz que o próprio Nzima se demitiu em 1977; de qualquer modo, não voltou ao fotojornalismo e abriu uma loja de bebidas em Lillydale. Em 1979 foi nomeado para a assembleia legislativa de Gazankulu, um dos bantustões do apartheid, pelo seu ministro-chefe, Hudson Ntsanwisi.
Durante muitos anos Nzima não teve controlo sobre a sua própria fotografia, que pertencia ao grupo Argus, proprietário do The World. Depois de uma longa luta recuperou os direitos em 1998 ou 1999 (segundo os relatos, graças ao The Star ou ao grupo Independent Newspapers, que comprara a Argus), mas nunca recebeu o dinheiro que costuma associar-se a uma imagem tão famosa. Mais tarde dirigiu uma escola de fotografia em Bushbuckridge e integrou a câmara municipal de Bushbuckridge e o conselho do distrito de Bohlabela.
Memória
O Memorial e Museu Hector Pieterson, inaugurado em Soweto em 2002, fica a curta distância do local onde a foto foi tirada, e a imagem faz parte dele. As fotografias de Nzima são ali exibidas com destaque, embora um relato diga que o seu nome foi omitido dos créditos na inauguração. O 16 de junho é hoje feriado na África do Sul, o Dia da Juventude. Nzima morreu a 12 de maio de 2018, aos 83 anos, num hospital de Nelspruit, depois de ter desmaiado.
Ver também
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