Fotojornalista · África do Sul
Peter Magubane
Peter Magubane (1932-2024) foi um fotojornalista sul-africano que documentou o apartheid durante mais de quatro décadas, da revista Drum nos anos 1950 ao massacre de Sharpeville, à revolta do Soweto de 1976 e à libertação de Nelson Mandela. Foi detido, passou 586 dias em isolamento e esteve proibido de trabalhar durante cinco anos. De 1990 a 1994 foi o fotógrafo oficial de Mandela.
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Drum
Peter Magubane nasceu em Vrededorp em 1932 e cresceu em Sophiatown, então um centro das artes negras. Entrou para a revista Drum em meados dos anos 1950, quando era a voz da África do Sul negra urbana: uma fonte diz que conseguiu um emprego de motorista e estafeta em 1954, outra que entrou em 1955, e mais tarde foi assistente de laboratório antes de pegar na câmara. Ali aprendeu o ofício entre os escritores e fotógrafos de uma geração notável. Fotografou os julgamentos políticos e os protestos da década, cobrindo a detenção de Nelson Mandela e a proibição do ANC. Em 1958 foi o primeiro sul-africano negro a ganhar o prémio de melhor fotografia de imprensa do ano, e em 1960 fotografou as consequências do massacre de Sharpeville, em que a polícia matou 69 pessoas que protestavam contra as leis dos passes.
Detenção e proibição
Em 1967 entrou para o Rand Daily Mail. Dois anos depois, em junho de 1969, foi preso enquanto fotografava manifestantes à porta da prisão onde estavam Winnie Madikizela-Mandela e outras ativistas. Passou 586 dias em isolamento. Ao ser libertado ficou sujeito a uma proibição de cinco anos, que o impedia de trabalhar como fotógrafo para qualquer publicação; preso de novo em 1971, passou mais 98 dias em isolamento e foi encarcerado por violar a proibição.
Soweto, 1976
Quando a proibição terminou, Magubane voltou ao trabalho. A 16 de junho de 1976 e nos meses seguintes fotografou a revolta estudantil de Soweto — os protestos contra o afrikaans como língua de ensino, que a polícia recebeu a tiro, e em que Sam Nzima tirou a fotografia de Hector Pieterson. Os manifestantes temiam que as fotografias permitissem à polícia identificá-los, e Magubane convenceu-os a deixá-lo trabalhar, a ele e a outros fotojornalistas. Mais tarde trabalhou para a Time e agências internacionais e publicou muitos livros sobre a vida e a cultura sul-africanas. Uma fonte conta dezassete livros, dois deles proibidos pelo governo do apartheid: Black As I Am (1978) e Black Child (1982).
Como olhar para um Magubane: repare onde ele se colocava. Trabalhava perto da multidão, muitas vezes em risco, e as fotografias mostram rostos e mãos mais do que a ordenação de um cortejo; a humanidade está nos pormenores dos indivíduos que formam um protesto. Compare-o com Goldblatt, que fotografava as estruturas do apartheid à distância, e com Nzima, cuja única imagem se tornou um emblema. Esta leitura é própria deste site.
O fotógrafo de Mandela
Depois da libertação de Nelson Mandela em 1990, Magubane tornou-se o seu fotógrafo oficial e seguiu-o durante quatro anos, até ele se tornar o primeiro presidente democraticamente eleito da África do Sul, em 1994. Magubane morreu a 1 de janeiro de 2024, aos 91 anos; o presidente Cyril Ramaphosa proferiu o elogio fúnebre no seu funeral de Estado em Joanesburgo. O obituário do New York Times disse que as suas imagens lhe deram fama mundial mas castigo no seu país. Recebeu um doutoramento honoris causa da Universidade da África do Sul em 2003, o Humanistic Award da American National Professional Photographers Association e uma Order for Meritorious Service.
Onde ver a obra
O Science Museum Group do Reino Unido tem uma ficha de coleção em seu nome; a Northwestern University acolheu-o como artista convidado em 2009; e a biografia da South African History Online enumera os seus livros e distinções. Pergunte aos museus sul-africanos, como os de Joanesburgo, e às agências do fotógrafo o que está agora exposto. A The Conversation publicou um obituário em 2024.
Ver também
A obra de Magubane está ao lado da de Ernest Cole e de David Goldblatt na fotografia do apartheid. Leia a fotografia africana e veja a nossa lista de fotógrafos sul-africanos.

