Fotojornalista · Quénia
Dan Eldon
Dan Eldon (1970-1993) foi um fotojornalista britânico-americano que cresceu em Nairobi. Para a Reuters fotografou a fome e a guerra na Somália em 1992-1993, e foi morto por uma multidão em Mogadíscio a 12 de julho de 1993, aos 22 anos, juntamente com três colegas. Os seus diários de colagens foram depois publicados com o título The Journey Is the Destination.
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Nairobi e a estrada para sul
Dan Eldon nasceu em Londres em 1970 e cresceu em Nairobi, no Quénia, onde a mãe, Kathy Eldon, trabalhava como jornalista. Adolescente, já fotografava, viajava por África e enchia diários com colagens de fotografias, desenhos, mapas, bilhetes e escrita.
Também aprendeu cedo a transformar a viagem em ação. Depois de uma primeira viagem de reconhecimento de carro de Nairobi ao Malawi em 1989, e enquanto estudava no Pasadena City College, na Califórnia, fundou a Student Transport Aid e, no verão de 1990, levou um grupo de jovens por estrada de Nairobi, através da Tanzânia, até um campo de refugiados no Malawi. Ofereceram um dos veículos à Save the Children e dinheiro para poços e cobertores para um hospital pediátrico, e voltaram para casa.
A Somália
Em 1992 foi para a Somália, onde a fome e a guerra civil estavam a matar centenas de milhares de pessoas, e tornou-se um dos fotógrafos mais jovens a trabalhar para a Reuters. As suas imagens ajudaram a chamar a atenção do mundo para a fome.
A 12 de julho de 1993, helicópteros americanos da operação da ONU atacaram um posto de comando do senhor da guerra Mohamed Farah Aidid em Mogadíscio, matando mais de setenta somalis, segundo o Comité para a Proteção dos Jornalistas. Sobreviventes foram ao hotel onde estavam os jornalistas estrangeiros e pediram-lhes que viessem ver o que tinha acontecido. No local, uma multidão virou-se contra os repórteres. Eldon foi morto com dois colegas da Reuters, ambos quenianos — Hos Maina e o técnico de som Anthony Macharia — e Hansi Krauss, da Associated Press. Tinha 22 anos.
Os diários
Eldon deixou dezassete diários, escritos desde a adolescência até à morte. Cada página é uma colagem das suas fotografias com desenhos, mapas, bilhetes e escrita à mão, sobrepostos até a página se tornar uma imagem por direito próprio. As páginas vão dos anos de adolescência em Nairobi aos últimos meses na Somália. Em 1997 a Chronicle Books publicou uma seleção, editada pela mãe, com o título The Journey Is the Destination: The Journals of Dan Eldon. Em poucos meses tinham-se vendido quase 30 000 exemplares. Kathy Eldon explicou que não os publicou como homenagem, mas para encorajar os leitores a tratar a própria vida como uma obra de arte.
Como olhar para a sua obra
As suas fotografias de imprensa e os seus diários são dois lados do mesmo olhar. As imagens da Reuters eram feitas para a agência, para serem enviadas depressa e impressas no dia seguinte. Os diários não seguem regra nenhuma, e é neles que está a sua própria voz. Veja-os como diários feitos com uma câmara e uma tesoura, e não só com palavras: a fome na Somália, as viagens de adolescente e as piadas estão nas mesmas páginas. Essa mistura do sério e do lúdico é o que os distingue das suas fotografias de imprensa, e da maior parte da fotografia de guerra.
Legado
Kathy Eldon e a irmã de Dan, Amy, fundaram a Creative Visions Foundation para apoiar quem usa os media e a arte para a mudança social. Um filme baseado nos diários, The Journey Is the Destination, realizado por Bronwen Hughes, com Ben Schnetzer no papel de Dan e Maria Bello no de Kathy, estreou no Festival Internacional de Cinema de Toronto em 2016. Hughes tinha chegado à história através do livro.
Onde ver a sua obra
Os diários veem-se melhor no livro, que teve novas edições. O filme é o relato mais acessível da sua vida, e um site, daneldon.org, guarda um arquivo dos seus diários e da sua história.
Veja também
O grande fotojornalista queniano da época, Mohamed Amin; a fotografia africana; e a nossa lista de fotógrafos africanos.
