Fotojornalista · Quénia
Mohamed Amin
Mohamed «Mo» Amin (1943-1996) foi um fotojornalista e operador de câmara queniano, fundador da agência Camerapix em Nairobi e um dos repórteres mais prolíficos da atualidade africana entre os anos 1960 e 1990. As suas imagens da fome na Etiópia, transmitidas pela BBC em 1984, comoveram milhões de pessoas e deram origem ao Band Aid e ao Live Aid. Perdeu um braço numa explosão em Adis Abeba em 1991 e morreu no desvio de um avião da Ethiopian Airlines em 1996.
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Camerapix
Mohamed Amin nasceu em Nairobi em 1943, numa família de origem sul-asiática, e já tirava fotografias para os jornais quando ainda andava na escola. Em 1963, com cerca de vinte anos, fundou a sua própria agência, a Camerapix, numa pequena loja de Dar es Salaam, e três anos depois mudou-a para Nairobi. A partir daí cobriu a África Oriental e grande parte do continente para meios de comunicação internacionais: revoluções, golpes de Estado, guerras e eleições, mas também a vida selvagem e as viagens, que a Camerapix publicava igualmente em livros. As suas fotografias estão em títulos como Pilgrimage to Mecca (1978) e Journey Through Pakistan, e em volumes sobre a vida selvagem da África Oriental e o caminho-de-ferro do Uganda. Quando morreu, era diretor executivo da Camerapix Publishers International, sediada em Londres.
Etiópia, 1984
Em outubro de 1984, Amin, que trabalhava para a agência de notícias Visnews, juntou-se aos correspondentes da BBC Michael Buerk e Mike Wooldridge no norte da Etiópia, atingido pela fome. Com os contactos que construíra ao longo de anos de filmagens no país, levou a equipa a um campo improvisado em Korem, numa zona vedada aos jornalistas; as filmagens começaram a 19 de outubro. As imagens filmadas por Amin de um enorme campo de pessoas famintas, transmitidas com a reportagem de Buerk, correram o mundo. Eram imagens de atualidade, filmadas em dois dias, e não um documentário. Levaram o músico Bob Geldof a organizar o Band Aid, cujo disco «Do They Know It's Christmas?» saiu em dezembro, e os concertos do Live Aid em julho de 1985 — uma das maiores campanhas de angariação de fundos humanitários alguma vez feitas.
Adis Abeba, 1991
Em 1991, no fim da guerra civil etíope, Amin ficou gravemente ferido na explosão de um paiol em Adis Abeba. Perdeu o braço esquerdo. Com uma prótese, voltou ao trabalho e continuou a filmar.
O voo 961
A 23 de novembro de 1996, Amin seguia no voo 961 da Ethiopian Airlines, um Boeing 767 que ia de Adis Abeba para Nairobi, quando três sequestradores o tomaram. Sem combustível, o aparelho caiu no oceano Índico ao largo da Grande Comore; morreram 125 das 175 pessoas a bordo, Amin entre elas. Sobreviventes contaram que ele tentou argumentar com os sequestradores.
Legado
O arquivo de fotografias e filmes de Amin é um dos maiores registos da África Oriental depois das independências: mais de 8000 horas de vídeo em bruto e cerca de três milhões de fotografias, feitas entre 1953 e 1996. A Mohamed Amin Foundation, criada em 1998, pouco depois da sua morte, e dirigida pelo filho Salim Amin, cuida dele e gere um centro de formação em media em Nairobi. Salim Amin preside também à Camerapix e cofundou o canal de notícias pan-africano Africa24 Media, que preside, pelo que o trabalho da família na informação africana continua na geração seguinte.
Como olhar para o trabalho de Amin e onde o ver
Mo Amin passou quatro décadas a fotografar e a filmar por todo o continente, e parte do arquivo foi posta em linha com o Google Arts & Culture, no projeto Mo Amin: Eye of Africa, que é a melhor porta de entrada. Procure o que difere do seu filme sobre a fome: o mesmo operador de câmara registou durante décadas eleições, vida selvagem, caminhos-de-ferro, mercados e cerimónias, de modo que as imagens que fizeram o mundo compadecer-se de Korem estão dentro de um conjunto que trata sobretudo de outras coisas. O sítio da fundação e o Google Arts & Culture são os sítios por onde começar. Um fotógrafo mais novo de Nairobi, Dan Eldon, foi morto na Somália em 1993 quando trabalhava para a Reuters. Para a história mais ampla, veja a fotografia africana e a arte da África Oriental, bem como a nossa lista de fotógrafos africanos.
