Artista e fotógrafa · Marrocos
Yto Barrada
Yto Barrada (nascida em 1971) é uma artista franco-marroquina radicada em Tânger e em Nova Iorque. Tornou-se conhecida com A Life Full of Holes: The Strait Project, fotografias de Tânger como lugar de espera para quem tenta atravessar para a Europa. Cofundou e dirige a Cinémathèque de Tanger, e a sua obra posterior abrange cinema, escultura, gravura e têxteis. Representa a França na Bienal de Veneza de 2026.
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Tânger
Yto Barrada nasceu em Paris em 1971 e cresceu em Tânger, o porto marroquino que fica em frente a Espanha, do outro lado do Estreito de Gibraltar. Estudou história e ciência política na Sorbonne e depois fotografia no International Center of Photography, em Nova Iorque, e voltou a Tânger para trabalhar.
The Strait Project
A sua primeira grande série, A Life Full of Holes: The Strait Project (1998-2004), olha para Tânger numa altura em que a Europa fechava as fronteiras. A Espanha fica a apenas catorze quilómetros, mas para a maioria dos marroquinos obter um visto tornara-se quase impossível, e muitos jovens arriscavam a travessia em pequenos barcos. As fotografias de Barrada mostram a cidade como uma sala de espera: terrenos baldios, pessoas de costas para a câmara, papel de parede com paisagens alpinas, um rapaz a olhar o mar. São imagens silenciosas, muitas vezes oblíquas, sobre o desejo, a partida e o ficar para trás.
A série foi publicada em livro em 2005 e consagrou-a internacionalmente. Em 2011, o Deutsche Bank nomeou-a Artista do Ano, com uma exposição, Riffs, no Deutsche Guggenheim, em Berlim. No mesmo ano, a Tate Modern, em Londres, dedicou-lhe uma exposição individual.
Como olhar para o Projeto do Estreito: leia-o como um conjunto de pequenos factos que se somam, e não como uma única reportagem. Terrenos baldios, um papel de parede com paisagens alpinas e um rapaz a olhar o mar dizem pouco isoladamente. Procure o que as pessoas das imagens não fazem: esperam, desviam o olhar, ficam. A série foi feita entre 1998 e 2004, nos anos em que a Espanha endurecia os vistos para os marroquinos.
A Cinémathèque
Em 2006, Barrada cofunda a Cinémathèque de Tânger no antigo Cinema Rif, um cinema Art Déco na praça do Grande Socco. O projeto começou em 2003, quando um grupo de artistas e profissionais do cinema, entre eles Barrada, criou uma associação sem fins lucrativos para ficar com o arrendamento do cinema, construído em 1938. Tornou-se o primeiro cinema de autor e arquivo fílmico do Norte de África, e um ponto de encontro da cidade, e ela dirige-o desde então. O seu Album: Cinematheque Tangier foi mostrado no Walker Art Center, em Minneapolis, de novembro de 2013 a maio de 2014.
Para lá da fotografia
O seu trabalho posterior move-se livremente entre o cinema, a escultura, a colagem, a gravura e os têxteis. Uma exposição de 2007 na galeria Polaris, em Paris, intitulava-se Iris tingitana, la botanique du pouvoir, «a botânica do poder», e mostra até que ponto os seus interesses se tinham deslocado. Recorre a arquivos, botânica, brinquedos, história natural e modernismo marroquino e, nos últimos anos, tingiu tecidos com plantas, uma prática que continua em The Mothership, um ecocampus que cofundou num terreno ao lado da casa da sua infância em Tânger, onde os artistas podem aprender a cultivar plantas e a fazer tintas naturais. O seu trabalho foi mostrado no MoMA, em Nova Iorque, e no MASS MoCA, em North Adams (Massachusetts), em 2021.
Veneza, 2026
Em novembro de 2024, o Institut français anunciou que representaria a França na Bienal de Veneza de 2026, sucedendo a Julien Creuzet. A sua exposição no pavilhão francês, Comme Saturne, com curadoria de Myriam Ben Salah, decorre de 6 de maio a 22 de novembro de 2026, pelo que está aberta neste momento. O projeto retoma a ideia renascentista de que os artistas nascem sob Saturno, o planeta da melancolia e do pensamento lento. Combina têxteis, cinema, escultura e linguagem: os visitantes percorrem ambientes de lã drapeada, e a luz do dia vai branqueando aos poucos os têxteis ao longo da exposição, de modo que o pavilhão é diferente em novembro do que era em maio. The Mothership está ligada ao projeto como local de investigação. O catálogo é publicado pela JRP|Editions.
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