Pintora · Marrocos
Chaïbia Talal
Chaïbia Talal (1929-2004) foi uma pintora marroquina, a artista autodidata mais conhecida do país. Casada em criança e viúva aos quinze anos, trabalhou como empregada de limpeza em Casablanca e começou a pintar no início dos anos 1960, depois de um sonho. A partir de 1966 expôs em Casablanca e Paris, e as suas telas luminosas e espontâneas de rostos, flores e vida rural fizeram dela uma das pintoras marroquinas mais célebres e mais procuradas.
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Uma vida antes da pintura
Chaïbia Talal nasceu em 1929 numa aldeia perto de El Jadida, na costa atlântica de Marrocos. Nunca foi à escola. Ainda menina, foi casada com um homem muito mais velho e, aos quinze anos, era já viúva, com um filho pequeno, Hossein. Para o criar, mudou-se para Casablanca e trabalhou como empregada de limpeza.
Hossein Tallal tornou-se ele próprio pintor, e a casa da mãe encheu-se de artistas. Mas o caminho de Chaïbia para a arte, tal como ela o contava, veio de outro lado.
O sonho
No início dos anos 1960, quando tinha cerca de trinta e cinco anos, sonhou que estava rodeada de velas azuis e de pessoas que lhe davam pincéis e telas. Viu nisso um chamamento e começou logo a pintar, sem formação e sem vontade de aprender regras.
Em 1965, o filho levou a casa deles o crítico francês Pierre Gaudibert, então no Musée d'Art Moderne de la Ville de Paris, e Gaudibert foi acompanhado de dois artistas marroquinos conhecidos, Ahmed Cherkaoui e André Elbaz. Ficaram impressionados com o seu trabalho e incentivaram-na a expô-lo. Em 1966 fez a primeira exposição no Goethe-Institut de Casablanca e, no mesmo ano, estreou-se em Paris na galeria Solstice e expôs no Salon des Indépendants.
A pintura
Chaïbia pintava com cor pura e saturada, diretamente do tubo: vermelhos, amarelos, azuis e verdes lado a lado. Os seus temas eram as pessoas e os lugares que conhecia — rostos de olhos grandes, mulheres, músicos, pescadores, flores, cenas de aldeia e o campo da sua infância —, desenhados com uma linha livre, quase infantil, e cheios de energia.
Como olhar para uma Chaïbia: comece pela cor e depois pela linha. A tinta é aplicada em campos saturados, e as figuras, de olhos grandes, são traçadas depressa e com um contorno aberto, de modo que os rostos parecem olhar para nós do meio da cor. O perfil do MOMAA assinala a influência dos pintores do CoBrA, cuja arte também nascia da espontaneidade, e o Museu Mohammed VI de Rabat mostrou os dois em conjunto.
A crítica chamou muitas vezes à sua arte «naïf» ou «bruta» (art brut), rótulos de que ela não gostava. Via-se simplesmente como pintora e orgulhava-se da sua independência. Ao contrário dos artistas da Escola de Casablanca, que construíam uma arte moderna a partir do artesanato e dos sinais marroquinos, não pertenceu a nenhum grupo nem seguiu nenhum programa.
A fama
Nas décadas seguintes expôs amplamente na Europa e em Marrocos, em cidades como Frankfurt, Copenhaga, Ibiza, Menton e Roterdão. A receção em casa foi desigual: nos anos 1960, os dirigentes, na sua maioria homens, dos movimentos artísticos marroquinos rejeitaram os seus quadros, dizendo que reforçavam a imagem de um país subdesenvolvido. A sua personalidade — franca, divertida, vestida de cores vivas — fez dela uma figura pública em Marrocos. Morreu em Casablanca em 2004. Grandes instituições, entre elas o Institut du monde arabe, em Paris, o Mathaf, em Doha, e o Museu Mohammed VI de Arte Moderna e Contemporânea, em Rabat, incluíram-na na história da arte árabe moderna, e os seus quadros atingem hoje alguns dos preços de leilão mais altos da arte marroquina.
Onde ver a obra
Em janeiro de 2025, o Museu Mohammed VI, em Rabat, inaugurou Chaïbia/CoBrA: Au croisement des libertés, com cerca de vinte obras, a maioria da própria coleção do museu. Uma mostra de 2018, em Rabat, que a associava a outros dois artistas foi criticada pelo filho, Hossein Talal, também pintor, que disse não ter sido consultado. Consulte o museu para saber o que está exposto agora.
Veja também
O seu contemporâneo Hassan El Glaoui, cuja pintura figurativa também se manteve à margem da Escola de Casablanca; a pintora argelina Baya, outra mulher autodidata que expôs em Paris; o guia das mulheres artistas africanas; e a nossa lista de pintores africanos.
