Pintor · Marrocos
Hassan El Glaoui
Hassan El Glaoui (1923-2018) foi um pintor marroquino famoso pelos quadros de cavalos e cavaleiros, sobretudo a fantasia, a carga de cavaleiros que disparam as espingardas. Filho de Thami El Glaoui, o poderoso paxá de Marraquexe, foi autorizado a ser artista depois de Winston Churchill ter elogiado o seu talento. Formou-se e expôs em Paris, mostrou a sua obra em Nova Iorque e Londres e voltou a Marrocos em 1965.
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O filho do paxá
Hassan El Glaoui nasceu em Marraquexe em 1923, um dos filhos de Thami El Glaoui, o paxá de Marraquexe. O paxá era um dos homens mais poderosos de Marrocos durante o protetorado francês, um aliado da França que recebia líderes mundiais nos seus palácios. Esperava-se que o filho estudasse Direito ou seguisse a política, não que pintasse.
Em criança, Hassan recebeu um pónei, e os cavalos tornaram-se um dos grandes temas da sua vida. Desenhava sem parar.
A palavra de Churchill
Winston Churchill, também pintor amador entusiasta, adorava Marraquexe e foi hóspede do paxá. Segundo a história da família, nos anos 1940 o paxá mostrou a Churchill o trabalho do filho e pediu-lhe a opinião; Churchill disse que o jovem tinha verdadeiro talento e devia poder estudar arte. O paxá concordou, e Hassan foi para Paris formar-se como pintor.
Paris, Nova Iorque, Londres
Fez a primeira exposição individual em Paris em 1950, seguida de Nova Iorque em 1951 e Londres em 1960. O pai morreu em 1956, o ano da independência de Marrocos, e a fortuna da família caiu a pique; Hassan ficou em França, a viver da pintura, antes de voltar a Marrocos em 1965.
Cavalos e fantasia
El Glaoui pintou cavalos ao longo de toda a carreira: a guarda real em desfile, cavaleiros em repouso e, sobretudo, a fantasia (tbourida), a exibição tradicional em que uma linha de cavaleiros carrega a galope e dispara as espingardas no mesmo instante. O seu estilo é figurativo e vivo, com uma pincelada rápida e ritmada que capta o movimento, o pó e a cor. Pintou também retratos e naturezas-mortas. A filha, Touria El Glaoui, disse que ele representava muitas vezes as antigas tradições equestres berberes que ainda estão vivas em Marrocos.
Como olhar para um El Glaoui: a fantasia é um exercício de sincronia, uma linha de cavaleiros que carrega em conjunto e dispara no mesmo instante, e os quadros são sobre essa coordenação. Procure a linha de cavaleiros, o pó e os lugares onde a pincelada se acelera para levar o movimento.
A sua obra estava longe da abstração da Escola de Casablanca, mas foi muitíssimo popular, e está na coleção do Palácio Real de Fez e no Parlamento de Rabat. Participou na Bienal de Alexandria de 1957 e na exposição parisiense Deux mille ans d'art au Maroc, de 1963.
Retrospetivas
Marrocos homenageou-o com várias exposições: 60 ans de peinture, retrospetiva no espaço de arte Actua do Attijariwafa bank, em Casablanca, em 2010, sessenta anos depois da sua primeira exposição individual em Paris; uma exposição com mais de cinquenta obras na galeria Memoarts, em Casablanca, em 2014, metade de uma coleção privada e metade à venda; e Sel de ma Terre, com curadoria de Touria El Glaoui, no Museu Mohammed VI de Arte Moderna e Contemporânea, em Rabat, de 2 de abril a 31 de agosto de 2019. A exposição de Rabat, organizada por épocas e temas, reuniu cerca de cem obras de sete décadas, e foi uma oportunidade para ver o que os quadros de cavalos tinham escondido: retratos de mulheres, naturezas-mortas, interiores e um autorretrato de 1940, na sua maioria pouco conhecidos do público. Um relato sublinha que os cavalos e a fantasia vieram mais tarde na sua carreira e que ele recusava o rótulo de «pintor de cavalos». O museu de Rabat é o melhor ponto de partida para a sua obra numa coleção pública; confirme o que está exposto agora. Morreu em Rabat em 2018, aos 94 anos. A filha, Touria El Glaoui, fundou a 1-54, a feira de arte africana contemporânea (veja feiras e bienais de arte africana).
Ver também
Chaïbia Talal, a outra grande pintora figurativa marroquina da sua geração; o pintor e romancista Mahi Binebine, de Marraquexe; a arte do Norte de África; e a nossa lista de pintores africanos.
