Fotógrafo · Nigéria
Misan Harriman
Misan Harriman (nascido em 1977) é um fotógrafo e realizador britânico nascido na Nigéria. Autodidata, tornou-se amplamente conhecido em 2020 pelas fotografias dos protestos Black Lives Matter em Londres e, em setembro desse ano, foi o primeiro homem negro a fotografar a capa da British Vogue em mais de um século de história da revista.
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Um começo tardio
Misan Harriman nasceu na Nigéria em 1977 e foi mandado para colégios internos em Inglaterra, Stubbington House e depois Bradfield College. Depois dos estudos trabalhou em recrutamento na City de Londres e, em 2016, fundou uma empresa de media, What We Seee. A fotografia chegou tarde. Começou a fotografar em 2017, por volta dos quarenta anos, e aprendeu sozinho; em menos de três anos, as suas imagens estavam na capa da British Vogue.
O verão de 2020
Depois do assassínio de George Floyd nos Estados Unidos, em maio de 2020, os protestos do Black Lives Matter encheram as ruas de Londres, e Harriman fotografou-os. A imagem que mais circulou mostra uma jovem, Darcy Bourne, com um cartaz escrito à mão que pergunta porque é que acabar com o racismo é um debate. Harriman disse que talvez fosse a imagem mais partilhada das que tirou durante os protestos; Bourne contou mais tarde que lhe tinha dado uma plataforma para tentar fazer a diferença. Em julho as suas fotografias dos protestos foram mostradas nos ecrãs gigantes de Piccadilly Circus e, nesse outono, a fotografia de Bourne foi leiloada a favor da Anthony Nolan, uma instituição de luta contra os cancros do sangue.
A capa da Vogue
As imagens dos protestos chamaram a atenção de Edward Enninful, diretor da British Vogue e o primeiro diretor negro da sua história. Para o número de setembro de 2020, «Activism Now», Enninful pediu-lhe que fotografasse vinte ativistas, entre eles a modelo e ativista Adwoa Aboah e o futebolista Marcus Rashford, cuja campanha acabara de levar o governo britânico a mudar a política de refeições escolares gratuitas. A capa desdobrável, a preto e branco, fez de Harriman o primeiro homem negro a fotografar uma capa da revista desde a sua fundação em 1916.
Como olhar para as suas fotografias
Harriman fotografa pessoas, não acontecimentos. Mesmo numa multidão de milhares, a sua fotografia de protesto mais conhecida fica com um rosto e uma pergunta; a raiva da marcha está lá, mas também a serenidade da jovem. As suas encomendas mais conhecidas são a preto e branco, que apaga as cores dos cartazes e da roupa e deixa as expressões, os gestos e a luz. A mesma abordagem vai dos protestos à capa da Vogue, onde vinte ativistas surgem com a seriedade normalmente reservada aos retratos oficiais. Os seus retratados defendem muitas vezes uma causa, e ele fotografa-os como se o rosto fosse o argumento.
Para lá da câmara
Em julho de 2021 tornou-se presidente do Southbank Centre, o centro de artes à beira do Tamisa, em Londres. Em maio de 2024 a National Portrait Gallery incluiu na sua coleção permanente a sua fotografia a preto e branco dos duques de Sussex, tirada na cimeira One Young World, em Manchester, em setembro de 2022. Também se voltou para o cinema: The After (2023), o seu primeiro filme como realizador, escrito com John Julius Schwabach e com David Oyelowo no papel de um motorista de TVDE em luto, ganhou o prémio de melhor curta-metragem de ficção no HollyShorts Film Festival, estreou na Netflix e foi nomeado para o Óscar de melhor curta-metragem de ficção em 2024. Deu também uma palestra TED sobre o seu tema, The power of an image — and the mind behind it.
Onde ver a sua obra
O seu retrato dos duques de Sussex está na coleção da National Portrait Gallery, em Londres. O número «Activism Now» da British Vogue de setembro de 2020 reúne a sua encomenda mais conhecida, e The After está na Netflix. A maior parte das suas fotografias dos protestos foi publicada primeiro nas suas próprias redes sociais e na imprensa.
Veja também
James Barnor, que fotografou londrinos negros para a Drum nos anos 1960; Khadija Saye; Zanele Muholi; a nossa lista de fotógrafos africanos e a fotografia africana.

