Fotógrafa · Gâmbia
Khadija Saye
Khadija Saye (1992-2017) foi uma fotógrafa britânico-gambiana cuja série de autorretratos em ferrótipo Dwelling: in this space we breathe explorava as práticas espirituais da sua herança gambiana. A obra foi exposta na Bienal de Veneza de 2017; semanas depois, a 14 de junho de 2017, morreu com a mãe no incêndio da Torre Grenfell, em Londres. Tinha 24 anos.
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Uma fotógrafa londrina de ascendência gambiana
Khadija Saye nasceu em Londres em 1992 numa família gambiana e cresceu na cidade. Ambos os pais vinham da Gâmbia; a mãe, Mary Mendy, era cristã e o pai, que lhe sobrevive, é muçulmano. Estudou fotografia na University for the Creative Arts, em Farnham, e foi orientada pela artista britânica Nicola Green. Começou a trabalhar sobre identidade, fé e pertença, e sobre as tradições gambianas com que cresceu.
Dwelling: in this space we breathe
A sua série Dwelling: in this space we breathe utiliza o ferrótipo ao colódio húmido, um processo do século XIX. Em cada autorretrato segura junto à cabeça ou ao corpo um objeto ligado às práticas espirituais gambianas: amuletos, um corno e outros objetos sagrados. As imagens pequenas, escuras e prateadas, feitas com uma técnica que nunca se controla totalmente, falam de proteção, de herança e da procura de algo a que se agarrar. A série, nove autorretratos, explora o que ela chamava a migração das práticas espirituais tradicionais gambianas. Os objetos nas imagens são sagrados; obteve-os de diferentes curandeiros espirituais na Gâmbia através de troca e oração, e disse ter feito a série por uma necessidade pessoal de enraizamento espiritual depois de um trauma; o processo de fazer as imagens, disse, tornou-se um ritual em si mesmo. Várias obras têm títulos em uolofe: Toor-Toor significa «flor» e mostra-a adornada de flores, e noutra imagem participa num ritual com um amuleto tééré e um corno de vaca. Nak Bejjen (2017) é um ferrótipo sobre metal com 250 por 200 milímetros.
Como olhar para elas: comece pela superfície. Um ferrótipo é uma imagem única sobre uma placa de metal, por isso não há negativo nem segunda cópia, e as marcas do colódio, as margens irregulares e os riscos fazem parte da imagem. Depois olhe para as mãos e os objetos, que são o tema. As imagens pedem para ser lidas devagar, como uma espécie de oração ou de retrato de uma prática, não como uma semelhança.
Veneza, 2017
A série foi mostrada no Diaspora Pavilion da 57.ª Bienal de Veneza, no Palazzo Pisani Santa Marina, de 13 de maio a 26 de novembro de 2017, com curadoria de David A. Bailey e Jessica Taylor para o International Curators Forum e a University of the Arts London. Saye foi a artista participante mais jovem. Tinha feito nove ferrótipos para a série e mostrou seis ali.
Grenfell
A 14 de junho de 2017, um incêndio destruiu a Torre Grenfell, o bloco de apartamentos no oeste de Londres onde vivia; Saye e a mãe estiveram entre as 72 pessoas que morreram. Tinha 24 anos.
Depois
A maior parte da sua obra perdeu-se no incêndio. As nove imagens sobrevivem porque foram digitalizadas em alta resolução, e a partir dessas digitalizações a galeria Victoria Miro publicou um portefólio de nove serigrafias, numa edição de 50, a favor do seu espólio e do Khadija Saye IntoArts Programme. As estampas foram feitas a partir de digitalizações em bruto dos ferrótipos. Em leilão em 2018, o ferrótipo Nak Bejjen, a primeira das suas obras vendida em leilão, atingiu 43 750 libras. O portefólio foi mostrado em Rock My Soul, uma exposição coletiva com curadoria de Isaac Julien na Victoria Miro em outubro de 2019, e a British Library exibiu as estampas na sua Entrance Hall Gallery de dezembro de 2020 a outubro de 2021.
Onde ver a obra
O Pitt Rivers Museum, em Oxford, e o Queensland Art Gallery | Gallery of Modern Art, em Brisbane, incluem nas suas coleções obras de Dwelling: in this space we breathe, e a British Library mostrou as serigrafias em 2020-2021. A Victoria Miro, a galeria que gere o seu espólio, e o Khadija Saye IntoArts Programme mantêm o seu trabalho visível; consulte a página de cada museu para saber o que está exposto. Veja a nossa lista de fotógrafos africanos.
