Fotógrafo · Mali
Seydou Keïta
Seydou Keïta (c. 1921–2001) foi um fotógrafo retratista maliano que dirigiu o estúdio mais famoso de Bamaco entre 1948 e 1962. Os seus retratos elegantes e cuidadosamente compostos dos habitantes da cidade, feitos pouco antes e pouco depois da independência, são hoje reconhecidos como clássicos da fotografia do século XX.
Atualizado a 3 min de leitura
Uma máquina vinda do Senegal
Seydou Keïta nasceu em Bamaco por volta de 1921 e aprendeu o ofício de carpinteiro. Em 1935, um tio que regressava do Senegal ofereceu-lhe uma Kodak Brownie, e ele aprendeu sozinho a fotografar. Em 1948 abriu um estúdio na casa da família em Bamako-Koura, atrás da prisão central; em poucos anos era o lugar onde todos queriam ser retratados.
Como é um retrato de Keïta
Keïta fotografava as pessoas como queriam ser vistas. Os retratados chegavam com as suas melhores roupas; ele acrescentava o que faltava de um sortido de adereços e trajes que guardava no estúdio — fatos europeus, relógios, canetas, um rádio, uma scooter, flores — e fazia-os posar, sozinhos ou em grupo, diante de fundos de tecido estampado que mudava de poucos em poucos anos. Os retratados escolhiam os seus próprios adereços, de flores de papel a Vespas, e ele dirigia-os; retratos de amostra pendiam no estúdio como inspiração. Colchas e outros tecidos à mão serviam de fundos, e como renovava adereços e fundos de poucos em poucos anos, hoje ajudam a datar a obra.
Como olhar para um Keïta: comece pelo tecido. Os fundos estampados e a roupa do retratado competem, e a maneira como uma figura se senta diante deles diz como queria ser vista. Depois veja os adereços: um relógio mostrado no pulso, um rádio, uma flor, uma scooter. São emprestados, e fazem parte da encenação. Esta leitura é própria deste site.
O resultado é o retrato de uma sociedade tanto quanto de indivíduos: uma cidade de funcionários, comerciantes, jovens casais e famílias alargadas, confiantes e modernos, nos últimos anos do domínio francês. Usava sobretudo uma câmara de grande formato e fazia provas de contacto diretamente a partir dos negativos, o que dá às imagens a sua nitidez.
Fotógrafo do Estado
Quando o Mali se tornou independente em 1960, o novo governo socialista precisava de fotógrafos. Nomeou Keïta seu fotógrafo oficial, e ele fechou o estúdio; uma fonte data isso de 1962 e outra diz que trabalhou por conta própria até 1963 e serviu o Estado de 1963 a 1977, quando se reformou.
Descoberta
Durante anos o seu arquivo foi conhecido sobretudo em Bamaco. Nos anos 1990, exposições na Europa e nos Estados Unidos levaram os seus retratos a um vasto público, e seguiram-se debates sobre quem devia imprimi-los e vendê-los. Em 2016 o Grand Palais, em Paris, apresentou, de 31 de março a 11 de julho, o que foi descrito como a primeira grande retrospetiva da sua obra, com quase trezentas fotografias; a Aperture chamou-lhe a sua segunda retrospetiva parisiense. Foi organizada por Yves Aupetitallot, com obras provenientes sobretudo das coleções de Jean Pigozzi e André Magnin. Um volume da Steidl, Photographs, Bamako, Mali 1948–1963, apoia-se num arquivo alargado para oferecer mais de quatrocentos retratos, na maioria inéditos. As fontes divergem quanto ao seu ano de nascimento (1921 ou 1923) e aos anos do estúdio (1948–1963 ou 1949–1964). Keïta morreu em Paris em 2001.
Onde ver a obra
A exposição do Grand Palais terminou. Grande parte das obras ali mostradas vinha de coleções privadas, as de Jean Pigozzi e André Magnin; por isso os créditos citam a coleção Pigozzi (o CAAC, em Genebra) como fonte principal, e as galerias que representam o espólio e as publicações da mostra de 2016 são as principais vias de acesso. Os artigos da L'Œil de la photographie e da Aperture sobre a sua obra são leituras complementares úteis.
Artistas relacionados
Os retratos formais de estúdio de Keïta são o complemento natural das fotografias de Malick Sidibé, que registou as festas e a vida de rua de Bamaco uma década mais tarde. Ambos chegaram ao mundo em parte através da bienal de fotografia da cidade, descrita no nosso guia de feiras e bienais de arte africana; para o panorama completo, veja a fotografia africana. Se pensa comprar uma prova de época ou uma impressão moderna, leia primeiro como comprar arte africana: a diferença entre as duas é enorme. Veja a nossa lista de fotógrafos africanos.
