Pintora e artista · Tanzânia
Lubaina Himid
Lubaina Himid (nascida em 1954) é uma artista britânica nascida em Zanzibar e radicada em Preston. Figura de proa do Black Arts Movement no Reino Unido dos anos 1980, pinta e cria figuras recortadas e instalações que devolvem à história vidas negras esquecidas — criados, marinheiros, trabalhadores, mulheres —, muitas vezes com humor e padrões de cores vivas. Em 2017 tornou-se a primeira mulher negra a ganhar o Prémio Turner e, em 2026, representa o Reino Unido na Bienal de Veneza.
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Zanzibar e Londres
Lubaina Himid nasceu em Zanzibar em 1954. O pai morreu quando ela era bebé, e a mãe, designer têxtil, levou-a para o Reino Unido. Estudou cenografia no Wimbledon College of Art e fez mais tarde um mestrado em história cultural no Royal College of Art. O teatro e os têxteis ficaram sempre com ela: o seu trabalho parece muitas vezes um cenário, e os padrões — sobretudo os panos kanga estampados da África Oriental — atravessam-no.
O Black Arts Movement
Nos anos 1980, Himid esteve no centro do Black Arts Movement britânico. Além de criar a sua própria obra, organizou exposições que deram às artistas negras um lugar que lhes tinha sido negado, entre elas Five Black Women (1983) e The Thin Black Line (1985). A sua A Fashionable Marriage (1986), uma instalação de figuras recortadas que reencenava um quadro de Hogarth com personagens da política e do mundo da arte da Grã-Bretanha de Thatcher, é uma das obras-chave desse período. Himid recortou as figuras pintadas de Hogarth da tela e montou-as como um quadro vivo em tamanho real do Londres dos anos 1980, com Margaret Thatcher e Ronald Reagan nos papéis da condessa e do advogado Silvertongue.
Dar nome aos esquecidos
Grande parte da sua obra olha para as pessoas que a história deixou de fora. Naming the Money (2004) é uma multidão de cerca de cem figuras recortadas e pintadas em tamanho real — criados, músicos, cozinheiros, treinadores de cães — que representam africanos escravizados na Europa do século XVIII, a cada um dos quais devolve um nome e uma história. As figuras recebem ofícios e papéis, entre eles ceramistas, herbanários e sapateiros, e uma banda sonora dá-lhes voz; Himid ofereceu a instalação ao International Slavery Museum, parte dos National Museums Liverpool, e um grupo menor de vinte figuras foi mostrado na Walker Art Gallery da cidade. Como olhar para ela: as figuras têm ofícios e nomes, por isso devem ler-se como indivíduos e não como uma multidão, e ouvir a banda sonora que fala por elas. Swallow Hard: The Lancaster Dinner Service (2007) repinta um serviço de louça antigo para contar a história da escravatura. Outras obras pintam sobre páginas de jornais antigos para expor o racismo das suas imagens, ou mostram mulheres negras a conversar, a planear e a trabalhar em interiores e paisagens planos e luminosos. As suas pinturas usam cor forte, padrões e muitas vezes humor para levantar questões sérias sobre quem é visto e quem é lembrado.
Reconhecimento
O reconhecimento chegou tarde e, depois, de uma só vez. Em 2017, aos 63 anos, ganhou o Prémio Turner — a primeira mulher negra e a artista mais velha a consegui-lo. A sua exposição do Turner Prize realizou-se na Ferens Art Gallery, em Hull, e em 2018 foi nomeada CBE. A Tate Modern abriu em novembro de 2021 a sua maior exposição individual até à data, com pinturas novas ao lado de momentos marcantes da sua carreira; bandeiras de tecido inspiradas nas kangas da África Oriental recebiam os visitantes. É professora emérita da University of Central Lancashire, em Preston, onde vive. Em 2026 representa o Reino Unido na Bienal de Veneza com Predicting History: Testing Translation, no pavilhão britânico; o British Council anunciou a escolha em fevereiro de 2025.
Onde ver a obra
O pavilhão britânico dos Giardini, em Veneza, está aberto de 9 de maio a 22 de novembro de 2026; a comissária é Emma Dexter e a curadora Ese Onojerou. Em Liverpool, pergunte ao International Slavery Museum por Naming the Money. A Royal Academy mostrou as figuras em 2024 em Entangled Pasts, 1768–now, o que convida a confirmar o que a Academia e a Tate expõem agora.
Veja também
A pintura tingatinga e a arte maconde da Tanzânia; a ceramista de origem queniana Magdalene Odundo; o guia das mulheres artistas africanas; a arte africana contemporânea; e a arte da África Oriental.


