Movimento artístico · Nigéria
A Zaria Art Society
A Zaria Art Society foi um grupo de estudantes de arte nigerianos fundado a 9 de outubro de 1958 no colégio de Zaria que viria a ser a Universidade Ahmadu Bello. Conhecidos como os «rebeldes de Zaria», rejeitaram o ensino centrado na Europa dos professores britânicos e desenvolveram a «síntese natural» — uma arte moderna construída a partir das tradições visuais nigerianas e de ideias estrangeiras úteis.
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Estudantes contra o programa
No final dos anos 1950, o principal curso de arte da Nigéria funcionava no Nigerian College of Arts, Science and Technology, em Zaria, no norte do país. Os professores eram sobretudo britânicos, e o programa assentava na arte académica europeia: naturezas-mortas, desenho de modelo, paisagem à maneira das escolas inglesas.
A independência chegaria em 1960, e um grupo de estudantes decidiu que aquela era a preparação errada para os artistas de uma nação nova. A 9 de outubro de 1958 fundaram a Zaria Art Society. Os professores, e mais tarde os historiadores, chamaram-lhes os «rebeldes de Zaria».
Quem eram
Entre os membros estavam Uche Okeke, Demas Nwoko, Yusuf Grillo, Bruce Onobrakpeya, Simon Okeke, Jimoh Akolo, Oseloka Osadebe, Emmanuel Odita, Ogbonaya Nwagbara e Solomon Wangboje. Muitos tornaram-se os pintores, escultores, gravadores e professores mais influentes da Nigéria independente.
A síntese natural
A ideia orientadora do grupo foi formulada por Uche Okeke como síntese natural: identificar o que havia de bom nas culturas visuais da Nigéria — as terracotas de Nok, os bronzes do Benim e de Ifé, a pintura corporal e mural uli dos igbo, a escultura iorubá — e combiná-lo com o que era realmente útil na arte estrangeira que lhes ensinavam. Nem regresso ao passado, nem imitação da Europa, mas uma mistura deliberada.
Na prática, cada artista encontrou a sua síntese. Okeke partiu do desenho linear uli. Onobrakpeya desenvolveu novas técnicas de gravura. Nwoko trabalhou entre escultura, design e arquitetura. As pinturas de Grillo juntaram formas iorubás a uma paleta fria e moderna.
Depois de Zaria
A sociedade durou formalmente só até cerca de 1962, quando os membros se formaram, mas a sua influência não acabou aí. Uche Okeke foi ensinar na Universidade da Nigéria, em Nsukka, onde um «renascimento do uli» moldou a chamada escola de Nsukka — o departamento a que El Anatsui se juntou em 1975.
Movimentos e artistas relacionados
Os estudantes de Zaria reagiam em parte ao caminho de modernistas mais velhos como Ben Enwonwu. Nos mesmos anos, os artistas de Osogbo seguiram uma via muito diferente, baseada em oficinas, para uma arte iorubá moderna (veja a escola de Oshogbo), e em Cartum uma procura semelhante de uma arte nacional moderna deu origem à Escola de Cartum. Para a escultura antiga que inspirou Zaria, veja a escultura africana.

