Movimento artístico · Sudão
A Escola de Cartum
A Escola de Cartum foi um movimento de arte moderna formado no Sudão por volta de 1960 por Ibrahim El-Salahi, Ahmed Shibrain e Kamala Ibrahim Ishaq. Quis dar ao país recém-independente uma linguagem visual própria, combinando a caligrafia árabe e os motivos islâmicos com formas africanas, e durou até meados dos anos 1970.
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A arte de uma nação nova
O Sudão tornou-se independente em 1956. Nos anos seguintes, uma geração de artistas, muitos formados no College of Fine and Applied Art de Cartum e na Grã-Bretanha, perguntou-se como devia ser uma arte moderna sudanesa num país ao mesmo tempo árabe e africano.
A resposta ficou conhecida como Escola de Cartum. As suas figuras centrais foram Ibrahim El-Salahi, o pintor e artista gráfico Ahmed Shibrain (1931–2017) e a pintora Kamala Ibrahim Ishaq (nascida em 1939).
As letras como imagens
O traço mais reconhecível da escola é o uso da escrita árabe. Os artistas simplificaram e abstraíram as letras em formas, ritmos e até rostos e corpos — uma abordagem conhecida em todo o mundo árabe como hurufiyya, da palavra árabe para letras. Junto à escrita usaram o ornamento geométrico islâmico, motivos do artesanato sudanês, máscaras africanas e as cores de terra da paisagem sudanesa.
A obra de Shibrain tendia para a composição caligráfica pura; a de El-Salahi oscilava entre a escrita e figuras perturbadoras; a pintura de Ishaq voltou-se cada vez mais para a figura feminina e o mundo dos espíritos.
A rutura
Em meados dos anos 1970 o grupo tinha-se desfeito. Kamala Ibrahim Ishaq afastou-se e, em 1976, cofundou o grupo cristalista, cujo manifesto contestava uma Escola de Cartum dominada por homens e imaginava o mundo como um cristal transparente em constante mudança. El-Salahi foi preso em 1975 e depois deixou o Sudão.
Porque é importante
A Escola de Cartum é um dos exemplos mais claros de artistas a construir uma arte moderna a partir de várias heranças ao mesmo tempo. Teve influência no mundo árabe e em África e ocupa hoje um lugar central nas histórias museológicas do modernismo global, graças também à retrospetiva de El-Salahi na Tate Modern em 2013 e à exposição de Kamala Ibrahim Ishaq na Serpentine, em Londres, em 2022–23.
Movimentos relacionados
Compare-a com a Escola de Casablanca, que fez um gesto semelhante em Marrocos a partir do artesanato e dos sinais amazigh, e com a Zaria Art Society e a Escola de Dacar, duas outras respostas à pergunta sobre o que devia ser uma arte da independência. Entre outros artistas sudaneses conta-se o pintor e cineasta Hussein Shariffe.