Pintor, cineasta e poeta · Sudão
Hussein Shariffe
Hussein Shariffe (1934-2005) foi um pintor, cineasta e poeta sudanês, um dos pioneiros da arte moderna no Sudão e associado à Escola de Cartum. Formado em Inglaterra, expôs em Londres nos anos 1950, ensinou na Universidade de Cartum e a partir de 1973 fez filmes documentais e poéticos. Forçado ao exílio no final dos anos 1980, passou os últimos anos no Cairo.
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Hussein Shariffe nasceu em Omdurman em 1934 numa família sudanesa de destaque. Foi para Inglaterra estudar, primeiro história e depois arte. A sua primeira exposição foi na Gallery One, em Londres, em 1957, e uma fonte situa outras mostras em galerias londrinas em 1958 e 1960. Obteve reconhecimento em concursos britânicos para jovens pintores.
De volta ao Sudão, ensinou no College of Fine and Applied Art e na Universidade de Cartum, ao lado dos artistas do que ficou conhecido como a Escola de Cartum, liderada por Ibrahim El-Salahi e Ahmed Shibrain. Os seus quadros, muitas vezes de cores ricas e ar onírico, combinam figuras, rostos e paisagem num estilo pessoal e lírico.
A partir de 1973 iniciou uma segunda carreira no cinema, fazendo documentários e ensaios cinematográficos sobre o Sudão, a sua cultura e as suas gentes, e escreveu também poesia. The Dislocation of Amber (1975) é um filme sobre Sawakin, uma cidade portuária outrora próspera e hoje em ruínas. Tigers Are Better Looking (1979) adapta um conto de Jean Rhys.
Foi forçado ao exílio no Cairo no final dos anos 1980, e aí continuou o seu trabalho cinematográfico e codirigiu Diary in Exile (1993) com a cineasta egípcia Atteyat Al Abnoudy. Trabalhou até à morte, em janeiro de 2005, aos 70 anos, num ensaio fílmico poético inacabado, Of Dust and Rubies.
Como abordá-lo: comece pelos filmes. The Dislocation of Amber faz de um porto em ruínas o seu tema, e os filmes do exílio são ensaios e não histórias; os quadros oníricos leem-se melhor ao lado deles, como um único conjunto de obra de um poeta e pintor. Esta leitura é própria deste site.
Onde encontrar a obra
Os filmes de Shariffe são o que é mais fácil encontrar da sua obra: foram exibidos em ciclos de cinema sudanês, entre eles um ciclo de 2025 no cinema BAM de Nova Iorque, e no cinema Arsenal de Berlim. Os seus quadros circulam por casas de leilões e coleções privadas, pelo que os catálogos e as páginas de coleções dos museus são o lugar onde perguntar. Veja a nossa lista de pintores africanos.
