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Artista · África do Sul

William Kentridge

William Kentridge (nascido em 1955) é um artista sul-africano, um dos mais celebrados da sua geração em todo o mundo. É conhecido sobretudo pelos filmes de animação feitos a partir de desenhos a carvão que desenha, apaga e redesenha fotograma a fotograma, deixando os vestígios à vista; desde o fim dos anos 1980 tratam do apartheid, da memória, da culpa e da responsabilidade. Faz também gravura, escultura e encenações de teatro e ópera apresentadas nas grandes casas de ópera do mundo.

Atualizado a 4 min de leitura

William Kentridge

Um artista de Joanesburgo

William Kentridge nasceu em Joanesburgo em 1955. Os pais eram advogados que defendiam opositores do apartheid; o pai, Sydney Kentridge, representou Nelson Mandela e a família de Steve Biko. Kentridge estudou política e estudos africanos, depois belas-artes, e formou-se em teatro e mímica em Paris. Viveu e trabalhou em Joanesburgo toda a vida, e a cidade — as minas, as escombreiras, os subúrbios e os townships — atravessa a sua obra.

Desenhar, apagar, filmar

Em 1989 começou a série a que chama Drawings for Projection. Em vez de fazer um desenho novo para cada fotograma, trabalha num único grande desenho a carvão: filma um fotograma, muda um pouco o desenho, apaga e redesenha, e volta a filmar. As rasuras deixam fantasmas cinzentos no papel, de modo que cada cena guarda a memória do que veio antes — uma forma de mostrar como a história, e a culpa, persistem.

Os filmes seguem duas personagens: Soho Eckstein, promotor imobiliário e magnata das minas de fato riscado, e Felix Teitlebaum, uma figura sonhadora e nua que é o seu oposto. Johannesburg, 2nd Greatest City after Paris (1989), Felix in Exile (1994) e History of the Main Complaint (1996) tratam do apartheid, da sua violência e do seu fim; Felix in Exile é assombrado pelos corpos dos mortos dos anos anteriores às eleições de 1994.

Como olhar para elas: os filmes são curtos e quase todo o desenho fica à vista. Repare nos apagamentos. Uma figura move-se e deixa uma mancha onde esteve; essa mancha é a maneira de o filme dizer que o passado não se limpa. Johannesburg, 2nd Greatest City after Paris dura cerca de oito minutos e foi feito em 16 mm; a Art Gallery of Western Australia tem-no na sua coleção como um filme de 1989 transferido para vídeo digital.

Teatro, ópera e palco

Kentridge trabalha com a Handspring Puppet Company, de Joanesburgo, desde o início dos anos 1990, nomeadamente em Ubu and the Truth Commission (1997), que usava marionetas e animação para pôr em cena testemunhos da Comissão da Verdade e Reconciliação da África do Sul. Encenou óperas para as principais casas do mundo: A Flauta Mágica de Mozart, O Nariz de Chostakovitch na Metropolitan Opera de Nova Iorque e Lulu de Berg. Seguiram-se outros grandes projetos. The Refusal of Time (2012), feito para a dOCUMENTA (13) em Kassel com o compositor Philip Miller e o historiador da ciência Peter Galison, é uma instalação de vídeo de cinco canais com megafones de aço e uma máquina que respira, inspirada na máquina de fábrica de Tempos Difíceis, de Dickens; é uma meditação sobre o tempo, o colonialismo e a indústria, que o Metropolitan Museum of Art e o SFMOMA compraram em conjunto. The Head & the Load (2018), apresentada no Turbine Hall da Tate Modern, juntou música, dança, projeção de filmes e teatro de sombras para contar a história dos carregadores africanos que levavam abastecimentos aos exércitos britânico, francês e alemão durante a Primeira Guerra Mundial.

Em 2016 fez Triumphs and Laments, um friso de figuras com mais de 500 metros, limpando a sujidade dos muros do cais do Tibre, em Roma. Foram colocados estênceis sobre a pedra e lavou-se a sujidade à volta, de modo que as figuras são as partes limpas. Como a sujidade volta, o friso estava destinado a desvanecer-se: uma obra sobre a forma como os triunfos e as derrotas se esquecem, feita para ser ela própria esquecida.

Onde ver a obra

O Metropolitan Museum of Art tem The Refusal of Time na sua coleção (número de inventário 2013.250), e a Art Gallery of Western Australia conserva Johannesburg, 2nd Greatest City after Paris. Confirme o que um museu expõe antes de viajar.

Reconhecimento

Expôs várias vezes na Documenta e na Bienal de Veneza e em retrospetivas em todo o mundo, incluindo na Royal Academy de Londres em 2022. Recebeu o Prémio Quioto em 2010 e o Prémio Princesa das Astúrias das Artes em 2017.

Ver também

Marlene Dumas, a outra pintora nascida na África do Sul da sua geração com reputação mundial; a arte africana contemporânea; e a nossa lista de artistas sul-africanos.

Escritor e pintor

Breyten Breytenbach

África do Sul · 1939–2024

Breyten Breytenbach, grande poeta africânder que se opôs ao apartheid, esteve sete anos preso e pintou toda a vida. Morreu em Paris em 2024.

Pintor e escultor

Dumile Feni

África do Sul · 1942–1991

Dumile Feni, o «Goya dos townships», desenhou o sofrimento do apartheid em figuras poderosas e deformadas, como African Guernica (1967), antes do exílio.

Pintora

Esther Mahlangu

África do Sul · 1935–

Esther Mahlangu levou a pintura mural ndebele da sua aldeia a Paris, a um BMW Art Car e aos museus do mundo. A sua vida, a técnica e o legado.

Guia

Arte africana contemporânea

O que é a arte africana contemporânea, as exposições e curadores que a levaram ao mundo, os artistas a conhecer e os museus, bienais e feiras.