Pintora · África do Sul
Marlene Dumas
Marlene Dumas (nascida em 1953) é uma pintora de origem sul-africana que vive em Amesterdão desde 1976. Trabalhando a partir de fotografias — imagens de jornais, fotogramas de filmes, pornografia, polaroides de amigos —, pinta rostos e corpos com aguadas soltas e líquidas de tinta e óleo, e a sua obra sobre raça, sexualidade, violência, amor e morte fez dela uma das pintoras vivas mais influentes.
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De Kuils River a Amesterdão
Marlene Dumas nasceu na Cidade do Cabo em 1953 e cresceu numa quinta vinícola em Kuils River, nos arredores da cidade. Estudou arte na Universidade da Cidade do Cabo de 1972 a 1975, sob o apartheid, e em 1976 partiu para os Países Baixos com uma bolsa para os Ateliers '63, em Haarlem, onde trabalhou até 1978. Vive em Amesterdão desde então, mas a África do Sul — a sua política, as suas categorias raciais, a sua violência — nunca saiu da sua obra.
Pintar a partir de fotografias
Dumas quase nunca pinta a partir do natural. Trabalha a partir de fotografias: imagens de jornais e revistas, fotogramas de filmes, pornografia, história da arte e os seus próprios instantâneos de amigos e da família. Pintando depressa, com camadas finas e húmidas de óleo ou de tinta que escorrem e se espalham, transforma-as em algo menos certo: rostos que parecem devolver o olhar, corpos ao mesmo tempo vulneráveis e poderosos.
Entre as suas obras mais conhecidas estão The Painter (1994), um retrato da filha pequena com as mãos manchadas de tinta, e grandes séries de cabeças e figuras: crianças, modelos, mortos, presos políticos e terroristas, Cristo, a sua mãe. Os seus temas são os das notícias e os da vida privada, e ela recusa-se a separá-los.
Como olhar para uma Dumas: leve os títulos a sério, porque fazem parte da obra, e leia a pintura como um registo de velocidade. As camadas finas e húmidas fazem com que um rosto possa ser nítido num ponto e dissolver-se noutro, como se a imagem ainda estivesse a chegar ou já estivesse a desvanecer. Críticos da sua exposição na Tate escreveram que ela recupera corpos anónimos das imagens mediáticas de que parte; é uma boa pergunta a fazer a cada quadro: quem é esta pessoa e quem fez primeiro a fotografia de que ela parte? Black Drawings (1991-1992), mostrada na Tate, coloca a questão à escala de uma parede: uma série de rostos carrancudos, símbolos e marcas que cobre uma parede da galeria.
Os anos de estudante na Cidade do Cabo e a carreira em Amesterdão dão à sua obra uma dupla posição: uma pintora nascida na África do Sul que passou a maior parte da vida na Europa e que não deixa de perguntar quem olha, quem é olhado e quem tem o direito de pintar outra pessoa. Essa leitura é deste sítio, e não uma afirmação da artista.
Reconhecimento
Dumas representou os Países Baixos na Bienal de Veneza em 1995. A sua retrospetiva Measuring Your Own Grave abriu no Museum of Contemporary Art de Los Angeles em junho de 2008, passou para o Museum of Modern Art de Nova Iorque em dezembro de 2008 e depois para o Menil Collection, em Houston, em 2009. The Image as Burden, cujo título vem de uma obra de 1993, abriu no Stedelijk Museum de Amesterdão em 2014 e seguiu depois para a Tate Modern, em Londres, e para a Fondation Beyeler, perto de Basileia, em 2015. Em 2022-2023, o Palazzo Grassi, em Veneza, dedicou-lhe uma grande exposição individual, Open End, de 27 de março de 2022 a 8 de janeiro de 2023.
Os seus preços acompanharam-na. Na Sotheby's de Londres, a 1 de julho de 2008, o seu quadro The Visitor (1995) foi vendido por 3,18 milhões de libras, então um recorde para uma artista viva. Em maio de 2025, Miss January (1997) foi vendido na Christie's de Nova Iorque por 13,63 milhões de dólares, o preço mais alto pago até hoje por um dos seus quadros.
Onde ver a obra
Os museus que organizaram as suas retrospetivas, o Stedelijk de Amesterdão, a Tate Modern, a Fondation Beyeler e o Palazzo Grassi, são os melhores pontos de partida; consulte as suas páginas de coleção para saber o que está exposto, porque as obras em papel só são mostradas por períodos curtos.
Veja também
William Kentridge; o nosso guia das mulheres artistas africanas; Irma Stern, a pintora modernista sul-africana pioneira de uma geração anterior; e a nossa lista de artistas sul-africanos.



