Escritor e pintor · África do Sul
Breyten Breytenbach
Breyten Breytenbach (1939-2024) foi um poeta, romancista e pintor sul-africano, um dos maiores escritores em africânder e um feroz opositor do apartheid. Viveu sobretudo em Paris, onde pintava a par da escrita. Preso numa visita secreta à África do Sul em 1975, esteve sete anos na prisão; The True Confessions of an Albino Terrorist (1984) conta essa história. Morreu em Paris em novembro de 2024.
Atualizado a 2 min de leitura
Breyten Breytenbach nasceu em 1939 em Bonnievale, no Cabo Ocidental, e estudou belas-artes na Universidade da Cidade do Cabo antes de deixar a África do Sul no início dos anos 1960 rumo a Paris. Aí casou com Yolande Ngo Thi Hoang Lien, uma francesa de origem vietnamita; segundo as leis do apartheid, o casamento era um crime na África do Sul, e a ela foi recusado um visto para o visitar.
Fez nome como poeta em africânder, a começar por Die ysterkoei moet sweet (1964), e tornou-se o escritor africânder mais celebrado da sua geração e, como opositor do regime a que a sua língua era associada, um dos seus espinhos mais dolorosos. Em 1975 regressou em segredo à África do Sul para recrutar para a Okhela, um grupo antiapartheid clandestino, e foi preso e condenado ao abrigo da lei do terrorismo. Passou sete anos na prisão, dois deles em isolamento, até que a pressão internacional, incluindo a do presidente francês François Mitterrand, conseguiu a sua libertação em 1982.
A pintura correu em paralelo com a escrita durante toda a vida: obra figurativa, onírica e muitas vezes perturbadora, com muitos autorretratos. Fez a primeira exposição individual em 1964, o ano do primeiro livro de poemas, segundo uma fonte (outra situa a sua primeira mostra em Amesterdão nos anos 1960). Seguiram-se exposições individuais em Joanesburgo, na Cidade do Cabo, em Hong Kong, Amesterdão, Estocolmo, Paris, Bruxelas e Edimburgo; o Frans Hals Museum de Haarlem mostrou seis dos seus painéis em 1998, quando recebeu o prémio Jacobus van Looy; e The 81 ways of letting go a late self (2018) foi a sua primeira exposição individual na galeria Stevenson, na Cidade do Cabo. O filme Vision from the Edge: Breyten Breytenbach Painting the Lines acompanha-o no trabalho. Tornou-se cidadão francês e morreu em Paris a 24 de novembro de 2024.
Como olhar para um Breytenbach: leia as pinturas e os poemas como uma só mão. Os muitos autorretratos põem as mesmas perguntas sobre o exílio e a identidade que a sua escrita. Esta leitura é própria deste site.
Onde ver a obra
A Stevenson, na Cidade do Cabo e em Joanesburgo, representa as suas pinturas, a galeria de arte da UNISA expôs-o, e o filme Vision from the Edge está listado pelo festival IDFA. Pergunte a cada um o que está em exposição. Veja a nossa lista de artistas da África do Sul e de pintores africanos.



