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Pintor e escultor · África do Sul

Dumile Feni

Dumile Feni (1942-1991) foi um artista sul-africano conhecido como «o Goya dos townships», cujos desenhos e esculturas de corpos atormentados e deformados estão entre as imagens mais fortes da vida sob o apartheid. O seu grande desenho a carvão African Guernica (1967) é um marco da arte sul-africana. Deixou o país em 1968 e morreu no exílio em Nova Iorque em 1991.

Atualizado a 2 min de leitura

Dumile Feni

Dumile Feni nasceu a 21 de maio de 1942 em Worcester, no Cabo Ocidental, embora as fontes deem o seu ano de nascimento entre 1939 e 1942. Mudou-se para Joanesburgo no início dos anos 1950 e esteve hospitalizado com tuberculose em 1963, onde conheceu o artista Ephraim Ngatane. Formou-se no Jubilee Art Centre com Cecil Skotnes e ficou conhecido nos anos 1960 por monumentais desenhos a esferográfica e carvão: figuras de membros inchados e corpos retorcidos, mães e filhos, presos e mortos, que exprimem a dor das leis dos passes, das remoções forçadas e da violência policial.

A sua obra mais conhecida, African Guernica (1967), um enorme desenho a carvão, toma o nome do quadro de Picasso sobre o bombardeamento de Guernica e transpõe o seu horror para a África do Sul. A crítica chamou-lhe «o Goya dos townships», alcunha que recebeu por volta de 1965, quando uma galeria de Joanesburgo começou a apoiá-lo; a Gallery 101 deu-lhe a primeira exposição individual em 1966. O desenho, a carvão e lápis sobre papel, mede 218 por 226 centímetros; foi mostrado pela primeira vez na Gallery 101, em Joanesburgo, em 1967 e pertence ao National Heritage and Cultural Studies Centre da Universidade de Fort Hare. Nunca tinha viajado para o estrangeiro até o Museo Reina Sofía, em Madrid, o apresentar ao lado de Guernica de Picasso de 25 de março a 22 de setembro de 2026, numa exposição com curadoria de Tamar Garb. Feni foi selecionado para a Bienal de São Paulo em 1967.

Em 1968 Feni deixou a África do Sul rumo a Londres, e mais tarde mudou-se para Nova Iorque, onde continuou a desenhar e a esculpir; uma fonte diz que viveu em Manhattan a partir de 1978 e ganhava a vida com capas de discos, capas de livros e murais. Morreu em Nova Iorque a 16 de outubro de 1991, aos 49 anos, um ano depois da libertação de Nelson Mandela, sem nunca ter regressado a casa, e está sepultado em Lenasia. A biografia de Chabani Manganyi, The Beauty of the Line (2012), cobre a sua vida em Joanesburgo, Londres e Nova Iorque. Veja a nossa lista de artistas sul-africanos e a escultura africana.

Escritor e pintor

Breyten Breytenbach

África do Sul · 1939–2024

Breyten Breytenbach, grande poeta africânder que se opôs ao apartheid, esteve sete anos preso e pintou toda a vida. Morreu em Paris em 2024.

Pintora

Esther Mahlangu

África do Sul · 1935–

Esther Mahlangu levou a pintura mural ndebele da sua aldeia a Paris, a um BMW Art Car e aos museus do mundo. A sua vida, a técnica e o legado.

Pintora

Marlene Dumas

África do Sul · 1953–

Marlene Dumas, nascida na Cidade do Cabo e em Amesterdão desde 1976, pinta rostos e corpos a partir de fotografias. Uma pintora maior do nosso tempo.

Guia

História da arte africana

A arte africana, do desenho de Blombos (73 000 anos) a Nok, Ifé e Benim, das máscaras e têxteis ao modernismo e aos artistas de hoje: uma história breve.