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Pintora · África do Sul

Esther Mahlangu

Esther Mahlangu é uma pintora sul-africana, nascida em 1935 perto de Middelburg, em Mpumalanga, e a mais conhecida praticante da pintura mural ndebele. Em 1991 tornou-se a primeira mulher, e a primeira artista africana, a pintar um BMW Art Car.

Atualizado a 3 min de leitura

Esther Mahlangu

Aprender a pintar paredes

Esther Mahlangu nasceu em 1935 numa quinta perto de Middelburg, na atual província de Mpumalanga. É ndebele do Sul. Nas comunidades ndebele são as mulheres que pintam as paredes exteriores das casas, e as raparigas aprendem a ajudar as mães e as avós. Mahlangu começou por volta dos dez anos, ensinada pela mãe e pela avó, que lhe ensinaram também o trabalho com contas, e era já uma muralista experiente na adolescência.

A pintura ndebele constrói-se com formas geométricas fortes — degraus, chevrons, triângulos, edifícios estilizados — contornadas por traços negros grossos e preenchidas com cor lisa. As paredes antigas usavam pigmentos de terra; a partir de meados do século XX as tintas industriais alargaram a paleta. Mahlangu pinta à mão livre, sem estênceis nem fita-cola, e é conhecida por usar penas de galinha como pincéis; as Serpentine Galleries descrevem os seus primeiros pigmentos como naturais, misturados com argila, terra e esterco de vaca.

Como olhar para uma Mahlangu: aproxime-se o suficiente para ver a mão. As linhas negras são traçadas à mão livre, pelo que os seus pequenos tremores e variações de pressão provam que nada foi medido nem mascarado, e a cor lisa entre elas chega até à linha. Depois afaste-se e leia o conjunto como um padrão pensado para ser visto do outro lado de um pátio, que é como se vê uma parede.

Paris, 1989

O reconhecimento internacional chegou em 1989, quando foi convidada para Magiciens de la Terre, no Centro Pompidou, em Paris, uma das primeiras grandes exposições a mostrar artistas de todo o mundo como contemporâneos e não como etnografia. Investigadores da embaixada de França, entre eles o curador associado André Magnin, tinham visitado a África do Sul em 1986 e visto as pinturas da sua casa; para a exposição foi convidada a pintar uma réplica da casa em tamanho real.

O BMW Art Car

Em 1991 a BMW encomendou-lhe a pintura de um 525i para a série Art Car, antes pintada por artistas como Alexander Calder, Andy Warhol e Roy Lichtenstein. Foi a primeira mulher, e a primeira artista de África, a participar. Foi o décimo segundo carro da série. O carro tornou os padrões ndebele reconhecíveis em todo o mundo; regressou à África do Sul para uma exposição nos Iziko Museums, na Cidade do Cabo, de 18 de fevereiro a 11 de agosto de 2024, mais de trinta anos depois de ter sido pintado.

Das paredes a tudo

Nas décadas seguintes, Mahlangu levou o estilo para a tela e para objetos de todo o tipo — carros, roupa, artigos para a casa — através de colaborações com marcas internacionais, entre elas a vodca Belvedere, para uma campanha contra a sida, a Fiat e a British Airways, e um BMW Série 7 mostrado na Frieze, em Londres. Alguns críticos questionaram os projetos comerciais; Mahlangu apresenta-os como forma de manter a tradição visível e de a apoiar financeiramente.

Também ensinou, transmitindo a pintura ndebele a jovens da sua aldeia. Em 2018, a Universidade de Joanesburgo concedeu-lhe um doutoramento honoris causa, e é titular da Ordem de Ikhamanga em prata.

Trabalhos recentes

Em outubro de 2024, as Serpentine Galleries inauguraram o seu grande mural Umuntu ngumuntu ngabantu, a sua primeira obra pública no Reino Unido, que ficou em exposição até março de 2026. Uma exposição individual, Time in Color, abriu na Ross + Kramer Gallery, em Nova Iorque, em novembro de 2024, e uma retrospetiva sul-africana nesse ano incluiu um documentário sobre a sua infância rural e a cultura ndebele. Vive em Mpumalanga.

Porque é importante

Mahlangu mostrou que uma tradição praticada por mulheres rurais podia entrar nos museus do mundo sem ser reduzida a folclore. O seu percurso acompanha o do pintor moçambicano Malangatana, outro artista da África Austral cuja obra partiu de formas locais e chegou a um público global. Os ndebele são também grandes mestres das missangas, e a exportação musical sul-africana mais conhecida dos últimos anos, o amapiano, seguiu um caminho semelhante, de forma local a reconhecimento global. Para outras mulheres que mudaram o modo como se vê a arte de África, consulte o nosso guia das mulheres artistas africanas. Veja a nossa lista de artistas sul-africanos.

Escultor

El Anatsui

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O escultor ganês El Anatsui transforma milhares de cápsulas de garrafa achatadas em «tecidos» de metal cintilantes. A sua vida, os materiais e onde ver a obra.

Pintor e poeta

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Malangatana Ngwenya (1936–2011) pintou telas densas e visionárias, foi preso pela PIDE e nomeado Artista da UNESCO para a Paz. O maior pintor moçambicano.

Guia

Onde ver arte africana

Os museus onde se pode ver arte africana moderna, contemporânea e histórica — do Zeitz MOCAA e do Museu das Civilizações Negras à Smithsonian e a Tervuren.

Género musical

Amapiano

África do Sul · 2012–

O amapiano nasceu nos townships da África do Sul por volta de 2012: deep house, piano jazzístico e o estrondo do log drum. Origens, estrelas, expansão.