Forma de arte
As missangas africanas
As contas estão entre os mais antigos ornamentos feitos pelo ser humano, e algumas das mais antigas conhecidas vêm de África: contas de concha com cerca de 75 000 anos, encontradas na gruta de Blombos, na África do Sul. As contas de vidro chegadas pelo comércio transariano e do oceano Índico, e mais tarde de Veneza e da Boémia, foram transformadas em artes próprias — colares maasai, missangas zulu e ndebele, coroas reais iorubás, tronos de missangas dos Camarões —, enquanto os krobo do Gana fabricam as suas próprias contas de vidro.
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As contas antes do vidro
Na gruta de Blombos, na costa sul da África do Sul, os arqueólogos encontraram pequenas conchas de Nassarius perfuradas e usadas como contas há cerca de 75 000 anos. Na África Oriental e Austral fazem-se contas de casca de ovo de avestruz há dezenas de milhares de anos, e comunidades san do Kalahari ainda as fazem. As contas não são, portanto, um enfeite acrescentado à arte africana: estão entre as primeiras artes que a humanidade criou.
O vidro e o comércio
As contas de vidro chegaram a África pelo comércio de longa distância: através do Sara e ao longo da costa do oceano Índico, onde foram encontradas em grande quantidade em sítios como Mapungubwe, na África do Sul, um reino do século XIII. A partir do século XV, os comerciantes europeus trouxeram contas fabricadas em Veneza e depois na Boémia, incluindo as contas «chevron» de várias camadas, que se tornaram moeda de troca na África Ocidental. As artesãs e artesãos africanos escolhiam as cores e os tamanhos que queriam, e o mercado seguia-os.
As contas krobo
Os krobo do leste do Gana fazem as suas próprias contas com vidro reciclado: garrafas e vidros de janela são moídos até ficarem em pó, comprimidos em moldes de barro e cozidos em fornos. O resultado vai do translúcido ao opaco, pintado ou em camadas de muitas cores. As contas são centrais no Dipo, a cerimónia de iniciação das raparigas krobo.
África Oriental: maasai e samburu
As mulheres maasai e samburu do Quénia e da Tanzânia fazem largos colares planos, brincos, bandoletes e cintos de missangas. As missangas indicam a idade, o estado civil e a ocasião, e as cores têm associações muitas vezes citadas: o vermelho para a coragem e a unidade, o azul para o céu e a chuva que traz, o verde para a terra e a saúde, o branco para a pureza e o leite, o laranja e o amarelo para a hospitalidade.
África Austral: zulu, xhosa e ndebele
As missangas zulu incluem pequenos painéis muitas vezes chamados «cartas de amor», trocados entre jovens, em que combinações de cores e padrões transmitem mensagens — embora o significado dependa mais da região e do contexto do que de um código fixo. As missangas xhosa preferem o branco, com colares e capas de grande finura. As mulheres ndebele fazem aventais, capas e mantas de missangas que marcam as etapas da vida de uma mulher, na mesma linguagem geométrica da pintura mural ndebele, a tradição de Esther Mahlangu.
África Ocidental e Central: coroas e tronos
A coroa de um rei iorubá, o ade, é um cone coberto de contas, muitas vezes encimado por aves, com um véu de fios de contas que esconde o rosto do rei; só os reis com direito a ela a podem usar. Famílias de bordadores de contas de localidades como Efon-Alaye faziam coroas, chinelos e bastões para as cortes.
Nos Grassfields dos Camarões, os reinos bamum e bamileke cobriam de contas tronos, figuras, cabaças e máscaras — incluindo as máscaras de elefante das sociedades bamileke. O trono de missangas do rei Njoya de Bamum, Mandu Yenu, oferecido ao imperador alemão em 1908, está em Berlim.
As missangas na arte moderna
Nas oficinas de Oshogbo, na Nigéria, nos anos 1960, Jimoh Buraimoh desenvolveu a pintura com missangas, adaptando o trabalho iorubá ao quadro. Na África do Sul, as artesãs continuam a fazer tanto adornos tradicionais como grandes painéis contemporâneos de missangas, e os designers usam-nas na moda e nos objetos.
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As missangas eram cosidas em têxteis e máscaras. As grandes tradições de missangas da África Austral são descritas na arte da África Austral.
