Artista · Benim
Romuald Hazoumè
Romuald Hazoumè (nascido em 1962) é um artista beninense de Porto-Novo. Desde os anos 1980 faz «máscaras» com os bidões de plástico usados em todo o Benim para transportar água e gasolina de contrabando, transformando um objeto barato em rostos cheios de personalidade e num comentário sobre o consumo, o comércio e a exploração. A sua instalação La Bouche du Roi, um navio negreiro feito de 304 máscaras, foi adquirida pelo British Museum em 2007. Trabalha em escultura, instalação, pintura e fotografia.
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Romuald Hazoumè nasceu em Porto-Novo, capital do Benim, em 1962, numa família iorubá. Começou a fazer máscaras com jerricãs de plástico descartados em meados dos anos 1980. No Benim estes recipientes estão por toda a parte: servem para transportar água, óleo e, sobretudo, gasolina contrabandeada da Nigéria em motos carregadas de jerricãs.
Cortando, dobrando e juntando alguns objetos encontrados — arame, pentes, fita de cassete, penas —, transforma cada jerricã num rosto com personalidade própria, muitas vezes batizado com o nome de gente que conhece. As máscaras são divertidas e expressivas, mas também têm um propósito: respondem ao gosto ocidental por máscaras africanas «autênticas» com um objeto feito dos resíduos do consumo global, e falam do perigoso comércio de combustível e de como os recursos de África são levados.
A sua obra mais ambiciosa, La Bouche du Roi (1997–2005), dispõe 304 máscaras de jerricã na forma do Brookes, o navio negreiro britânico cujo desenho se tornou um ícone da campanha abolicionista, com sons, cheiros e objetos que evocam o tráfico atlântico e os seus ecos atuais. Foi concebida em 1997; uma fonte diz que foi mostrada pela primeira vez em Cotonu em 1999, e o Musée du quai Branly que foi apresentada na Menil Collection, em Houston, em 2005. O Museu Britânico comprou-a, com ajuda do Art Fund, para o bicentenário da abolição do tráfico britânico em 2007, e exibiu-a de 22 de março a 13 de maio de 2007, antes de uma digressão de dois anos por Hull, Liverpool, Bristol, Newcastle e Londres. Cada máscara representa um escravo, exceto duas que representam reis; a obra retrabalha a imagem do Brookes de 1789.
Como olhar para ela: primeiro, procure os rostos. Cada jerricã tem a sua própria expressão, e o efeito de 304 deles em filas é o de indivíduos reduzidos a carga. Depois repare de que são feitas as máscaras, porque o plástico e a gasolina são o comércio contemporâneo a que o título aponta. Esta leitura é própria deste site. O Musée du quai Branly, em Paris, também mostrou a obra e publicou sobre ela, por isso é um bom sítio para perguntar pelas exposições. Veja as máscaras africanas, a arte africana contemporânea e a arte da África Ocidental.

