Oleira · Nigéria
Ladi Kwali
Ladi Kwali (c. 1925-1984) foi uma oleira nigeriana da aldeia de Kwali, no atual Território da Capital Federal. Mestra das grandes bilhas de água modeladas à mão da tradição gbari, entrou em 1954 para o centro de formação de olaria de Abuja, aprendeu a roda e os vidrados e tornou-se célebre internacionalmente nos anos 1950 e 1960. Foi nomeada membro da Ordem do Império Britânico (MBE), e o seu retrato está na nota de 20 nairas.
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Uma oleira de Kwali
Ladi Kwali nasceu por volta de 1925 em Kwali, uma aldeia gbari do centro da Nigéria onde a olaria era trabalho de mulheres, ensinado dentro das famílias. Aprendeu com a tia a levantar à mão grandes bilhas de água. Não havia roda: construía cada peça com rolos de barro, de pé e a andar à volta dela à medida que subia, e dava-lhe forma batendo a parede por dentro com uma pá de madeira plana. Decorava as bilhas com animais incisos — lagartos, crocodilos, camaleões, escorpiões, cobras, aves e peixes — e cozia-as ao ar livre. As suas bilhas eram tão admiradas que o emir de Abuja (a atual Suleja) as colecionava.
O centro de formação de olaria de Abuja
Em 1954 entrou para o centro de formação de olaria que o oleiro britânico Michael Cardew tinha fundado em Abuja dois anos antes. Foi a primeira mulher a trabalhar lá. Aprendeu a trabalhar à roda, a usar vidrados e a cozer grés no forno, sem abandonar as suas próprias formas e decoração. Essa combinação deu algumas das melhores cerâmicas do século.
Como olhar para as suas peças
As suas obras mais conhecidas estão entre dois mundos. A forma é a da bilha gbari que fazia desde criança, ainda levantada à mão com rolos. A superfície pertence ao forno: grés, coberto de engobes e de um vidrado, cozido a uma temperatura muito mais alta do que a de um fogo ao ar livre. Os animais são gravados e impressos no barro antes de o vidrado ser aplicado, por isso veem-se através dele. E apesar do nome, uma bilha assim não era necessariamente feita para levar água: o Fitzwilliam Museum nota que a sua «bilha de água» de 1957 foi feita como peça de exposição para colecionadores europeus, e não para uso. Ver uma num museu é ver uma forma de aldeia transformada em objeto de arte moderna pela oleira que melhor a conhecia.
A fama internacional
Cardew organizou a maior parte das suas exposições e demonstrações. As mostras de olaria de Abuja nas Berkeley Galleries de Londres a partir de 1958, e as digressões pela Europa e pelos Estados Unidos, tornaram-na famosa; as suas obras entraram em museus como o Victoria and Albert Museum. Foi nomeada MBE em 1963, e em 1977 a Universidade Ahmadu Bello, em Zaria, concedeu-lhe um doutoramento honoris causa.
Legado
Ladi Kwali morreu em 1984. O seu retrato está na nota nigeriana de 20 nairas, e uma rua e uma sala de conferências de Abuja têm o seu nome. O centro de formação recebeu o seu nome, mas está em grande parte sem uso desde os anos 1990; em 2021 o governo do estado do Níger anunciou planos, com apoio do Banco Mundial, para o reconstruir. A sua influência foi além do edifício: em 1974 a ceramista nascida no Quénia Magdalene Odundo foi a Abuja aprender os métodos de modelação à mão das oleiras gbari. Em 2022 Body Vessel Clay, uma exposição de ceramistas negras em Two Temple Place, em Londres, foi construída à volta da obra de Kwali, mostrada ao lado de Odundo e de ceramistas mais jovens que trabalham hoje na Grã-Bretanha; uma edição americana abriu na Ford Foundation Gallery, em Nova Iorque, no centenário do seu nascimento. A Google assinalou a sua vida com um Doodle em 2022.
Onde ver a sua obra
O Fitzwilliam Museum, em Cambridge, conserva uma bilha de grés de 1957, com decoração incisa sob engobes verde e branco. O Los Angeles County Museum of Art adquiriu em 2024 uma bilha de cerca de 1962, e o High Museum of Art, em Atlanta, tem uma bilha verde de 1972. As suas peças aparecem também em vendas de olaria de Abuja, como o leilão da Bonhams de 2023.
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Para saber mais, veja a cerâmica africana, Twins Seven-Seven, o nosso guia das mulheres artistas africanas e a África Ocidental.



