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Olaria e cerâmica africanas

África tem uma das tradições cerâmicas mais antigas do mundo: a cerâmica de Ounjougou, no Mali, tem cerca de 11 000 anos. Na maior parte do continente, os potes eram feitos à mão — quase sempre por mulheres — e cozidos em fogueiras ao ar livre em vez de fornos, métodos que ainda se usam, enquanto o Norte de África desenvolveu peças vidradas feitas na roda. Ceramistas modernas como a nigeriana Ladi Kwali e Magdalene Odundo, nascida no Quénia, levaram estas tradições aos museus do mundo.

Atualizado a 4 min de leitura

Entre os primeiros oleiros do mundo

Na década de 2000, arqueólogos que trabalhavam em Ounjougou, no centro do Mali, deram a conhecer fragmentos de cerâmica com cerca de 11 400 anos — dos mais antigos de África e de todo o mundo fora da Ásia Oriental. Foram feitos num Sara muito mais verde do que o atual, provavelmente para cozinhar os cereais selvagens que se colhiam. África não importou a cerâmica: inventou-a.

Como se fazem os potes africanos

Na maior parte da África subsariana, as oleiras constroem os recipientes à mão e não na roda: sobrepondo rolos de barro, beliscando, batendo o barro sobre um molde ou numa cova no chão. As superfícies são polidas com pedras lisas (brunimento) e decoradas com incisões, impressões, ou rolando sobre o barro húmido um cordão torcido ou uma roleta esculpida.

Os potes são geralmente cozidos em fogueiras ao ar livre, a temperaturas relativamente baixas. Alguns são depois enegrecidos com fumo, ou pincelados ainda quentes com líquidos vegetais que deixam um brilho. O barro não vidrado continua ligeiramente poroso, e é por isso que uma talha mantém a água fresca à medida que ela se evapora lentamente pelas paredes.

Em muitas comunidades a olaria é trabalho de mulheres, passado de mãe para filha; nalgumas, as famílias de oleiros formam grupos à parte, com regras e papéis rituais próprios.

Tradições regionais

  • Núbia (Sudão): os oleiros da cultura de Kerma, entre cerca de 2500 e 1500 a.C., fizeram vasos vermelhos de paredes finas com bordos negros brilhantes, entre a mais fina cerâmica do mundo antigo.
  • África Ocidental: as talhas de água gbari (gwari) do centro da Nigéria — a tradição em que Ladi Kwali cresceu — e as figuras de terracota de Nok e de Djenné-Djenno, no Mali.
  • África Central: os mangbetu da RD Congo fizeram vasos cujo gargalo é uma elegante cabeça humana, com os penteados alongados admirados na sua corte.
  • África Austral: os potes de cerveja zulu (ukhamba), brunidos a negro e decorados com motivos em relevo, servem a cerveja de sorgo. Nesta Nala (1940–2005) tornou-se a sua criadora mais célebre.
  • Norte de África: aqui chegaram as técnicas do mundo islâmico — a roda, o forno e o vidrado. Fez é conhecida pela cerâmica azul e branca, Safi pelo seu bairro de oleiros e Tamegroute pela cerâmica de vidrado verde; os mesmos ofícios produzem os azulejos da arquitetura do Norte de África.

Ladi Kwali

Nascida por volta de 1925 na aldeia de Kwali, no centro da Nigéria, Ladi Kwali aprendeu com a tia a fazer talhas gbari. Em 1954 entrou para o centro de formação em olaria que o oleiro britânico Michael Cardew abrira em Abuja (a atual Suleja) em 1952, tornando-se a sua primeira oleira. Aí aprendeu a roda, os vidrados de grés e os fornos de alta temperatura, e combinou-os com as formas e os motivos incisos da sua própria tradição. As suas peças foram expostas em Londres e noutros lugares, foi nomeada MBE em 1963 e o seu retrato figura na nota de 20 nairas da Nigéria. Morreu em 1984.

Magdalene Odundo

Nascida em Nairobi em 1950 e formada na Grã-Bretanha, Magdalene Odundo faz vasos modelados à mão e brunidos, de formas bojudas que lembram corpos e superfícies cozidas até um laranja profundo ou um negro brilhante. Inspira-se nas tradições cerâmicas do Quénia, da Nigéria e de outros lugares, bem como na cerâmica antiga de todo o mundo. As suas obras estão em grandes museus, e em 2020 recebeu o título de Dame.

A cerâmica hoje

Entre os ceramistas contemporâneos estão os sul-africanos Andile Dyalvane, conhecido pelos grandes vasos expressivos, e Clive Sithole, que reinventa as formas zulu; em todo o continente, as oleiras das aldeias continuam a abastecer os mercados com panelas e talhas feitas à maneira antiga.

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