Pintor e vitralista · Etiópia
Afewerk Tekle
Afewerk Tekle (1932-2012) foi um pintor e vitralista etíope, o artista etíope mais conhecido do século XX. Enviado para Inglaterra para estudar engenharia de minas, formou-se antes na Central School e na Slade, em Londres. De regresso à Etiópia pintou retratos e temas históricos e religiosos num estilo que juntava a arte das igrejas etíopes ao modernismo europeu, e criou os monumentais vitrais do Africa Hall de Adis Abeba.
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Das minas à pintura
Afewerk Tekle nasceu em 1932 em Ankober, a antiga capital de Shewa, no centro da Etiópia. Cresceu durante a ocupação italiana de 1936-1941 e, depois da libertação, esteve entre os jovens etíopes que o governo mandou estudar no estrangeiro para o futuro do país. Em 1947 foi para Inglaterra estudar engenharia de minas, mas depressa convenceu as autoridades a deixarem-no estudar arte. Formou-se na Central School of Arts and Crafts e depois na Slade School of Fine Art, em Londres, e viajou pela Europa para estudar a arte religiosa e o vitral.
Pintar a Etiópia
Regressou à Etiópia em meados dos anos 1950, decidido a criar uma arte moderna nacional. Estudou as tradições do país — os ícones e as pinturas murais das suas igrejas, os manuscritos iluminados, as cruzes processionais — e combinou as suas cores e as suas figuras planas e rítmicas com o desenho e a composição que aprendera na Europa. Os seus temas eram a história e a religião etíopes, as paisagens e as gentes, e muitos retratos. Meskel Flower (1959), uma mulher com traje tradicional etíope a segurar as flores amarelas da festa de Meskel, tornou-se uma das imagens mais reproduzidas da Etiópia moderna e foi descrita como uma afetuosa alegoria da feminilidade etíope. Uma grande retrospetiva em Adis Abeba em 1961 levou a que o quadro fosse mostrado no estrangeiro, na Rússia, nos Estados Unidos e no Senegal.
Como olhar para ele: repare como a cor é plana e nítida e como a pose é frontal e imóvel, como as figuras da pintura de igreja, enquanto o modelado do rosto e das mãos vem da formação europeia. O quadro reúne as duas tradições numa só imagem. Esta leitura é própria deste site.
O Africa Hall
A sua obra mais famosa está no Africa Hall de Adis Abeba, sede da Comissão Económica das Nações Unidas para África, construído pelo imperador Haile Selassie I e inaugurado em 1961. Para ele desenhou um tríptico de vitrais de cerca de 150 metros quadrados, que mostra o passado de África, a sua luta e as suas esperanças de futuro; é conhecido por vários títulos, entre eles Total Liberation of Africa e Africa: Past, Present and Future, e as fontes divergem quanto a saber se a encomenda data de 1958 ou do início dos anos 1960. O vitral foi restaurado para a reabertura do edifício, após uma longa renovação, pela oficina francesa Studio Atelier Thomas Vitraux, de Valence, cujo Emmanuel Thomas é neto do fabricante original. Continua a ser uma das obras de arte pública maiores e mais conhecidas de África.
O laureado
Afewerk foi o primeiro vencedor do Prémio Haile Selassie I de Belas-Artes, em 1964, e recebeu muitas distinções internacionais; foi uma figura pública na Etiópia, conhecido pelas suas vestes de gala e pela sua casa-ateliê em Adis Abeba, a Villa Alpha. Desenhou também selos, murais, mosaicos e figurinos. Morreu em Adis Abeba a 10 de abril de 2012, aos 79 anos, embora uma fonte indique 80. Modernistas etíopes posteriores, como Skunder Boghossian, seguiram um caminho mais abstrato e experimental, mas Afewerk continuou a ser o pintor mais famoso do país.
Onde ver a obra
O Africa Hall, sede da Comissão Económica da ONU para África em Adis Abeba, é o lugar para ver os vitrais, e o edifício reaberto publicou material sobre o restauro. Meskel Flower é amplamente reproduzido, e as fontes descrevem o ateliê da Villa Alpha como um museu em si mesmo; confirme o acesso antes de ir. O artigo da Sotheby's sobre as obras-primas etíopes modernas trata dos seus vitrais e é um bom lugar para ler mais. A sua grande tela African Heritage está exposta na galeria de arte do Museu Nacional da Etiópia.
Ver também
A arte etíope; Skunder Boghossian; a arte da África Oriental; e a nossa lista de pintores africanos.


