Tradição artística · Etiópia
A arte etíope
A Etiópia tem uma das mais longas tradições artísticas contínuas de África. O reino de Axum ergueu as suas gigantescas estelas de pedra nos primeiros séculos da nossa era; depois de os seus governantes adotarem o cristianismo no século IV, os artistas etíopes criaram manuscritos iluminados, ícones, cruzes e murais de igreja num estilo próprio que ainda hoje se pratica. A Escola de Belas-Artes de Adis Abeba, aberta em 1958, lançou pintores modernos como Gebre Kristos Desta e Skunder Boghossian.
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Axum
Nos primeiros séculos da nossa era, o reino de Axum, no atual norte da Etiópia e na Eritreia, comerciava pelo mar Vermelho com Roma, a Arábia e a Índia, cunhava moeda própria e erguia estelas monumentais talhadas num único bloco de granito. As mais altas estão esculpidas como edifícios de vários andares, com portas e janelas falsas. Uma delas, levada para Roma em 1937 por ordem de Mussolini, foi devolvida à Etiópia em 2005 e novamente erguida em Axum. O sítio é Património Mundial da UNESCO.
Uma arte cristã
O rei Ezana de Axum adotou o cristianismo no século IV, e a Igreja Ortodoxa Etíope moldou desde então a arte do país.
- Manuscritos. Os Evangelhos de Garima, guardados num mosteiro do norte da Etiópia, foram datados por radiocarbono entre cerca dos séculos IV e VII, o que os colocaria entre os mais antigos manuscritos cristãos ilustrados do mundo. O livro iluminado em pergaminho manteve-se uma arte viva durante muito mais de mil anos.
- Igrejas. Em Lalibela, onze igrejas foram escavadas na rocha viva nos séculos XII e XIII, no reinado do rei Lalibela; são Património Mundial e continuam em uso. Em Gondar, a igreja de Debre Berhan Selassie, do século XVII, é famosa pelo teto pintado com filas de rostos de anjos alados.
- Ícones. Pintados em painéis de madeira, muitas vezes como dípticos e trípticos, os ícones etíopes mostram a Virgem Maria, santos e cenas do Evangelho com grandes olhos amendoados, contornos fortes e cores vivas e planas. As figuras boas são geralmente pintadas de frente, as más de perfil. No século XV, o pintor Fre Seyon tornou-se o mais conhecido dos mestres de ícones marianos.
- Cruzes. As cruzes processionais de latão e prata, com rendilhados finíssimos, e as pequenas cruzes de mão que os padres trazem consigo variam de região para região e estão entre as formas mais reconhecíveis da arte etíope.
A pintura popular
A partir do final do século XIX, pintores formados na tradição eclesiástica pintaram também em tela para um público mais vasto. Os temas favoritos incluíam a batalha de Adwa de 1896, em que a Etiópia derrotou um exército italiano, e a história da rainha de Sabá e do rei Salomão contada em filas de quadradinhos, à maneira da banda desenhada — um estilo ainda hoje pintado para os visitantes.
A arte etíope moderna
A Escola de Belas-Artes de Adis Abeba, inaugurada em 1958 e fundada pelo pintor Ale Felege Selam, formou a maioria dos artistas modernos do país. Entre os mais conhecidos:
- Afewerk Tekle (1932–2012), que desenhou os monumentais vitrais do Africa Hall de Adis Abeba, sede da Comissão Económica das Nações Unidas para África, inaugurado em 1961.
- Gebre Kristos Desta (1932–1981), formado na Alemanha, pioneiro da pintura abstrata na Etiópia.
- Skunder Boghossian (1937–2003), que trabalhou em Paris e depois ensinou na Universidade Howard, em Washington, e cuja pintura visionária misturava fontes etíopes e surrealismo.
Artistas contemporâneos
Artistas nascidos na Etiópia estão hoje entre os mais visíveis: Julie Mehretu (nascida em 1970 em Adis Abeba) pinta vastas abstrações em camadas; Elias Sime (nascido em 1968) constrói grandes obras com componentes eletrónicos reciclados, fios e placas de circuitos; Aida Muluneh (nascida em 1974) é uma fotógrafa de primeiro plano.
Os têxteis etíopes
A Etiópia tem também uma forte tradição de tecelagem: panos de algodão branco como o xaile netela, com orlas tecidas a cores chamadas tibeb, ainda se usam nos dias de festa e para ir à igreja. Veja os têxteis africanos.
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A arte etíope faz parte da história mais vasta da arte da África Oriental e da nossa breve história da arte africana. Do outro lado da fronteira, o sudanês Ibrahim El-Salahi construiu uma arte moderna a partir de outro encontro entre tradições africanas, árabes e religiosas. Em Adis Abeba, o Museu Nacional da Etiópia mostra a pintura etíope, dos primeiros pergaminhos aos mestres modernos.