Tradição têxtil · Mali
O bogolan (bogolanfini)
O bogolan — bogolanfini em bambara — é um pano de algodão feito à mão no Mali, tingido de amarelo num banho de folhas e depois pintado com uma lama fermentada e rica em ferro que fica negra onde reage com a tinta. Feito tradicionalmente por mulheres bamana e usado por caçadores e por mulheres em momentos de passagem, tornou-se um símbolo da identidade maliana nos anos 1970 e 1980 e é hoje conhecido em todo o mundo através da moda e da decoração.
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Como se faz o bogolan
Fazer bogolan leva dias e várias etapas, todas feitas à mão:
- Tecelagem. O algodão é fiado e tecido em tiras estreitas, tradicionalmente por homens, e as tiras são cosidas para formar um pano.
- O banho de folhas. O pano fica de molho numa tinta feita com folhas de árvores ricas em tanino — sobretudo o n'gallama (Anogeissus leiocarpa) — e seca ao sol. Ganha um amarelo pálido.
- A pintura com lama. Lama recolhida do fundo de rios e charcos, deixada a fermentar em potes por vezes durante meses, é aplicada no pano com paus, pincéis ou ferramentas de metal. O ferro da lama reage com o tanino das folhas e fica castanho-escuro ou negro. As pintoras costumam pintar o fundo à volta dos motivos, que ficam assim na cor clara. Camadas sucessivas aprofundam o negro.
- O branqueamento. Por fim, as zonas amarelas podem ser tratadas com uma solução cáustica que as torna brancas, dando o contraste clássico de motivos brancos ou creme sobre fundo escuro.
O que significavam os motivos
Os motivos tinham nomes que remetem para provérbios, acontecimentos históricos, objetos e animais; o seu significado transmitia-se entre as mulheres que os pintavam e variava de lugar para lugar. O bogolan não era pano de todos os dias. Os caçadores usavam túnicas tingidas com as suas cores, que se acreditava protegê-los; as mulheres envolviam-se nele depois da iniciação e depois de dar à luz, momentos em que se considerava que uma pessoa estava vulnerável e precisava de proteção.
De pano de aldeia a símbolo nacional
Nos anos 1970 e 1980, artistas de Bamaco levaram o bogolan por novos caminhos. Em 1978, seis artistas fundaram o Groupe Bogolan Kasobane, que usou a técnica em grandes pinturas, têxteis e design. Ao mesmo tempo, o estilista Chris Seydou (1949–1994) cortou o bogolan em casacos, saias e vestidos e levou-o às passerelles internacionais. O bogolan tornou-se um sinal da identidade maliana, usado com orgulho tanto na cidade como na aldeia.
O bogolan pelo mundo
Desde os anos 1990, os padrões do bogolan espalharam-se pela moda e pela decoração de todo o mundo. Aconteceram duas coisas ao mesmo tempo. No Mali, muitas oficinas produzem para o mercado um bogolan simplificado, por vezes com moldes e tintas mais rápidas — continua a ser feito à mão, mas é diferente dos panos antigos. Noutros lugares, fábricas imprimem padrões «mudcloth» em almofadas, tapetes e papel de parede sem qualquer ligação ao Mali.
Como reconhecer um bogolan feito à mão
- As costuras. Um pano feito à mão é composto por tiras estreitas cosidas; procure costuras ao longo de todo o pano, mais ou menos a cada 15 centímetros.
- O traço. Os motivos são desenhados à mão, por isso a espessura das linhas varia e as formas não são idênticas.
- O avesso. A lama penetra no algodão, de modo que o desenho aparece, mais esbatido, no avesso.
- Textura e cheiro. O algodão fiado à mão é irregular, e um pano novo pode conservar um leve cheiro a terra.
- O preço. Um pano grande e finamente pintado exige muito tempo. Um «bogolan» muito barato é quase de certeza estampado.
Relacionados
O bogolan junta-se aos outros grandes panos da região — o kente e o adinkra do Gana — no nosso guia dos têxteis africanos. As fotografias de Bamaco de Malick Sidibé mostram como se vestiam os jovens malianos nas décadas em que o bogolan se reinventava. Para a região no seu conjunto, veja a arte da África Ocidental. Em Bamaco, o Museu Nacional do Mali dedica uma sala permanente aos têxteis.
