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Género musical · Cabo Verde

Morna

A morna é a forma de canção nacional de Cabo Verde: música lenta e melancólica cantada em crioulo cabo-verdiano, acompanhada por violão, cavaquinho, violino e piano, e dedicada ao amor, à partida e à sodade — a saudade do que está ausente. Moldada por poetas como Eugénio Tavares e B.Léza e levada ao mundo por Cesária Évora, foi inscrita pela UNESCO como património cultural imaterial em dezembro de 2019.

Publicado a 2 min de leitura

Uma canção das ilhas

Cabo Verde é um arquipélago de dez ilhas ao largo da África Ocidental, desabitado até à colonização portuguesa no século XV e marcado pelo tráfico atlântico de escravos, pela seca e pela emigração. A morna nasceu ali no século XIX, com raízes em formas de canção mais antigas e influências portuguesas, brasileiras e africanas.

O seu tema é o grande tema das ilhas: a sodade, a saudade de pessoas e lugares distantes — os emigrantes, os amantes, as ilhas natais vistas de um navio.

Os poetas

Duas figuras deram à morna a sua forma clássica. Eugénio Tavares (1867–1930), da ilha Brava, escreveu no crioulo da Brava mornas que ainda hoje se cantam; o seu aniversário, 18 de outubro, é o Dia Nacional da Cultura de Cabo Verde. B.Léza (Francisco Xavier da Cruz, 1905–1958), do Mindelo, em São Vicente, enriqueceu a harmonia da morna com acordes vindos da música brasileira e escreveu muitas das canções mais conhecidas. O seu aniversário, 3 de dezembro, é o Dia Nacional da Morna.

O som

Uma morna é lenta e lírica, geralmente num ritmo suave de dois ou quatro tempos. O violão faz os baixos e os acordes, o pequeno cavaquinho de quatro cordas um rasgado rítmico, e o violino, o clarinete ou o piano tecem melodias à volta da voz. O canto é contido e íntimo, mais do que dramático.

Cesária Évora

Cesária Évora (1941–2011), nascida no Mindelo, cantou durante décadas nos bares e nos navios de São Vicente antes de alcançar o sucesso internacional já depois dos cinquenta anos. Conhecida como «a diva dos pés descalços» por atuar sem sapatos, tornou a morna famosa em todo o mundo nos anos 1990, com canções como «Sodade». Em 2004 o seu álbum Voz d'Amor ganhou o Grammy de Melhor Álbum de World Music Contemporânea.

Outras grandes vozes incluem Bana e Ildo Lobo, e uma geração mais nova continua a gravar e a reinventar a forma.

O reconhecimento da UNESCO

Em dezembro de 2019 a UNESCO inscreveu «A morna, prática musical de Cabo Verde» na sua Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade.

Relacionados

A tradição irmã da morna no Atlântico lusófono é o semba angolano. A sua melancolia tem ecos no raï argelino, e a cultura da guitarra liga-a à rumba congolesa. Para o pintor moçambicano que partilhou a luta do mundo lusófono pela independência, veja Malangatana.

Género musical

Semba

Angola · 1940s–

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Género musical

Rumba congolesa

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Género musical

Raï

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O raï nasceu como canção rural em torno de Orã, tornou-se o pop de Cheb Khaled e Cheb Mami e foi inscrito pela UNESCO como canção popular da Argélia em 2022.

Pintor e poeta

Malangatana

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