Género musical · Angola
Semba
O semba é uma música e dança popular de Angola que ganhou forma moderna nos musseques de Luanda nos anos 1940 e 1950. Grupos como os Ngola Ritmos, fundados em 1947 por Liceu Vieira Dias e outros, puseram canções em kimbundu e ritmos tradicionais na guitarra, ajudando a construir uma identidade angolana antes da independência; cantores como Bonga levaram-no ao mundo, e nos anos 1980 esteve na origem da kizomba.
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A música dos musseques
Na Luanda colonial, os musseques — os bairros de areia em volta da cidade portuguesa — eram a casa da maioria dos angolanos e de uma vida musical intensa. O semba cresceu ali a partir de canções e danças kimbundu mais antigas, e o nome está ligado à massemba, um passo de dança em que as barrigas dos pares se tocam.
Os Ngola Ritmos e a ideia de Angola
Em 1947 um grupo de jovens, entre os quais Liceu Vieira Dias, formou os Ngola Ritmos em Luanda. Tocavam ritmos angolanos na guitarra acústica com instrumentos tradicionais como a dikanza, um reco-reco entalhado, e os tambores ngoma, e cantavam em kimbundu numa época em que o regime colonial desencorajava as línguas e culturas africanas.
Essa escolha era política. Os Ngola Ritmos e os grupos que se seguiram ajudaram a criar um sentimento de angolanidade que alimentou o caminho para a independência. Vários músicos desta geração foram perseguidos pelas autoridades portuguesas pelas ligações ao movimento nacionalista.
A era elétrica
Nos anos 1960 e 1970 o semba eletrificou-se. Bandas como Os Kiezos e cantores como Elias dya Kimuezo, muitas vezes chamado o «rei da música angolana», enchiam os salões de dança de Luanda com semba de guitarras.
Bonga (José Adelino Barceló de Carvalho, nascido em 1942), antigo atleta que partiu para o exílio na Europa, tornou-se a voz do semba mais conhecida no estrangeiro. O seu álbum de 1972, Angola 72, com canções como «Mona Ki Ngi Xica», é um clássico da música africana, com a voz rouca a carregar a tristeza da guerra colonial e do exílio.
Do semba à kizomba
Depois da independência, em 1975, e durante os anos de guerra civil, os músicos angolanos continuaram a reinventar a sua música. Nos anos 1980 surgiu em Luanda um estilo mais lento, suave e romântico, influenciado pelo semba e pelo zouk caribenho então popular na África lusófona: a kizomba. A kizomba tornou-se uma dança a par praticada no mundo inteiro, enquanto o próprio semba foi revitalizado por cantores como Paulo Flores.
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A canção irmã do semba no Atlântico lusófono é a morna de Cabo Verde. Partilha uma história afro-caribenha conduzida pela guitarra com a rumba congolesa, logo a norte. Para o pintor mais conhecido da África lusófona, veja Malangatana.
