Artista · Quénia
Wangechi Mutu
Wangechi Mutu é uma artista queniana, nascida em Nairobi em 1972, que trabalha entre Nairobi e Nova Iorque. Conhecida primeiro pelas colagens de figuras femininas híbridas e hoje também pela escultura, fez em 2019 as primeiras esculturas alguma vez instaladas nos nichos da fachada do Metropolitan Museum of Art.
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Nairobi e Nova Iorque
Wangechi Mutu nasceu em Nairobi em 1972. Deixou o Quénia para terminar a escola no United World College of the Atlantic, no País de Gales, onde se formou em 1991, e depois mudou-se para Nova Iorque, estudou na New School e na Parsons e, a seguir, na Cooper Union, onde concluiu um BFA em 1996. Seguiu para Yale com uma bolsa de escultura e terminou um MFA em 2000. Trabalha hoje entre Nairobi e Nova Iorque.
As colagens
Mutu tornou-se conhecida nos anos 2000 com colagens de figuras femininas montadas a partir de fontes muito diferentes: revistas de moda e estilo de vida, ilustrações médicas e anatómicas, fotografias de motos e de vida selvagem, tinta e aguarela. As figuras são ao mesmo tempo belas e inquietantes — parte humanas, parte animais, parte máquinas.
O método é o argumento. As imagens de mulheres, e de mulheres africanas em particular, foram durante muito tempo recortadas e recompostas por revistas, museus e pela ciência. Mutu faz ela própria o recorte e constrói figuras poderosas em vez de expostas.
Como olhar para uma colagem de Mutu: pergunte de onde vem cada parte. Revistas de moda e de estilo de vida, ilustrações médicas e anatómicas, fotografias de motas e de fauna fornecem peças, de modo que um membro de uma fonte se junta a um torso de outra e a figura nunca se fixa num só corpo. Que partes são moda, quais são ciência e quais são paisagem, e o que muda quando são um só corpo? Em 2013, uma retrospetiva, A Fantastic Journey, abriu no Nasher Museum of Art da Universidade de Duke e viajou para o Brooklyn Museum.
Para a escultura
Nos últimos quinze anos a escultura ganhou mais espaço no seu trabalho: figuras em bronze, mas também em terra, madeira, pasta de papel e outros materiais naturais, muitas vezes feitas no seu ateliê de Nairobi. Várias tratam da água, da terra e da relação entre as pessoas e o ambiente na África Oriental.
A fachada do Met, 2019
Em setembro de 2019, o Metropolitan Museum of Art de Nova Iorque apresentou The NewOnes, will free Us: quatro esculturas em bronze, intituladas The Seated I a IV, instaladas nos nichos da sua fachada da Quinta Avenida, que estavam vazios desde que o edifício foi concluído. Foi a primeira encomenda de uma nova série anual para a fachada, concebida por Mutu com Sheena Wagstaff, responsável pela arte moderna e contemporânea do museu, e a curadora do projeto Kelly Baum. Ficou em exposição em 2020; as páginas do museu dão duas datas de encerramento diferentes, em junho e em novembro.
As figuras retomam a cariátide, o suporte arquitetónico em forma de figura quase sempre feminina. As mulheres de Mutu estão sentadas, majestosas ou ajoelhadas: guardiãs do portão do museu. O sítio do Met regista a encomenda e as encomendas de fachada que se seguiram.
Intertwined
Em 2023, o New Museum de Nova Iorque cedeu-lhe todo o seu edifício para Intertwined, uma retrospetiva com mais de cem obras de pintura, colagem, desenho, escultura e cinema, de 2 de março a 4 de junho. Foi a primeira vez que o museu dedicou todo o edifício a um só artista. Antes, a sua exposição Nguva na Nyoka na galeria Victoria Miro, em Londres, em 2012, incluía um vídeo, Nguva, em que uma criatura marinha vem a terra.
Artistas relacionadas
Mutu e Njideka Akunyili Crosby são muitas vezes referidas em conjunto: duas artistas nascidas em África, formadas em Yale, que usam a colagem para mostrar como as imagens moldam a identidade. Outra artista nascida no Quénia com reputação mundial é a ceramista Magdalene Odundo. Para outras mulheres que marcaram a arte do continente, leia o nosso guia das mulheres artistas africanas.

