Pintor · Camarões
Nzante Spee
Nzante Spee (1953-2005) foi um pintor camaronês da região do Noroeste. Depois de se formar na Nigéria e na Costa do Marfim, voltou a Bamenda e fundou o Spee Art Centre, um dos primeiros centros de arte da região, onde formou artistas mais novos como Angu Walters. Os seus quadros misturam cubismo, surrealismo e caricatura ingénua em cenas apinhadas e oníricas a que chamava a «melting age». Morreu na Califórnia em 2005.
Atualizado a 2 min de leitura
Sunday Nzante Spee nasceu em 1953 em Mbem, nas terras altas do noroeste dos Camarões. Concluiu o secundário no Baptist Missionary College, em Bamenda, e de 1976 a 1979 estudou belas-artes na Nigéria, prosseguindo depois em Abidjã, na Costa do Marfim, até 1982, numa altura em que os Camarões tinham pouco ensino artístico formal. Em 1984 ganhou o Prémio Bastos, atribuído à melhor pintura do ano nos Camarões.
De volta a casa, instalou-se em Bamenda e fundou o Spee Art Centre, um ateliê e centro de formação — possivelmente o primeiro do género na cidade. Viver da pintura era difícil ali, e também pintava montras, tabuletas e anúncios, decorava edifícios públicos e tocava guitarra numa banda de reggae. O ateliê tornou-se uma escola para pintores mais novos, entre eles Angu Walters: segundo um relato, a mãe de Walters convidou Spee a ver o que o filho fazia com os materiais que encontrava, e Spee acolheu-o no ateliê e orientou-o. Walters tornou-se um dos artistas contemporâneos mais conhecidos dos Camarões.
Os quadros de Spee são densos e oníricos: figuras, rostos, animais e edifícios fundem-se uns nos outros em cores vivas, misturando as formas fragmentadas do cubismo, a estranheza do surrealismo e o humor da caricatura, muitas vezes com comentários sobre a sociedade camaronesa. Chamava a este estilo o «melting age»; uma galeria descreve-o como um mundo em que tudo se amarrota, flui e desfaz, como a impressão de que o mundo está a acabar.
Como olhar para um Spee: não procure uma cena única. Comece por uma figura e siga-a enquanto se funde na seguinte, e repare onde cai o humor. Esta leitura é própria deste site. Morreu em Stockton, na Califórnia, a 25 de maio de 2005.
Onde ver a obra
A Galerie Herrmann, na Alemanha, publica uma página sobre a sua obra, e o livro Visual Arts in Cameroon: A Genealogy of Non-Formal Training, 1976–2014 situa Spee na história do ensino artístico camaronês. Pergunte às galerias que tratam arte camaronesa o que está disponível. Veja a África Central e a nossa lista de pintores africanos.
