Artista e cineasta · Egito
Wael Shawky
Wael Shawky (nascido em 1971) é um artista egípcio de Alexandria que trabalha com cinema, performance, desenho e escultura. É conhecido sobretudo por Cabaret Crusades (2010-2015), uma trilogia de filmes que reconta as Cruzadas do ponto de vista árabe com marionetas, e por Drama 1882, um filme musical sobre a revolta de Urabi feito para o pavilhão do Egito na Bienal de Veneza de 2024. Fundou a escola de arte MASS Alexandria.
Atualizado a 2 min de leitura
Wael Shawky nasceu em Alexandria em 1971. Estudou belas-artes na Universidade de Alexandria e depois nos Estados Unidos, na Universidade da Pensilvânia. A história, a religião e a maneira de contar as histórias — e quem as conta — atravessam a sua obra.
O seu projeto mais conhecido, Cabaret Crusades (2010-2015), é uma trilogia de filmes — The Horror Show Files (2010), The Path to Cairo (2012) e The Secrets of Karbala (2015) — que conta a história das cruzadas do lado árabe, apoiando-se em cronistas árabes medievais como Usama ibn Munqidh, Ibn al-Qalanisi e Ibn al-Athir, e no livro de Amin Maalouf As Cruzadas Vistas pelos Árabes. Todas as personagens são marionetas: para o primeiro filme usou bonecos com duzentos anos de um museu de Turim, e para os seguintes mandou fabricar figuras de cerâmica e de vidro de Murano. Os diálogos são cantados e falados em árabe clássico. Noutras obras, como Al Araba Al Madfuna, crianças dão voz a adultos e pessoas reais movem-se como marionetas.
Para o Pavilhão do Egito na Bienal de Veneza de 2024 fez Drama 1882, um filme-ópera sobre a revolta de Urabi contra o controlo estrangeiro e os tumultos de Alexandria que precederam o bombardeamento britânico da cidade, com música e libreto escritos pelo próprio Shawky. Fundou também a MASS Alexandria, um programa de estudos independente para jovens artistas. A Kunstsammlung Nordrhein-Westfalen, em Düsseldorf, apresentou a trilogia completa em conjunto pela primeira vez na Europa, e o Castello di Rivoli dedicou-lhe uma exposição individual com um catálogo de material de arquivo relacionado.
Como olhar para Cabaret Crusades: olhe para as marionetas antes de ler as legendas. As figuras são rígidas e estranhas, o que mantém a epopeia à distância, e o árabe clássico cantado transforma a crónica em ritual; repare em quem recebeu a voz. Esta leitura é própria deste site.
Onde ver a obra
A Galeria Nacional do Canadá guarda Cabaret Crusades III: The Secrets of Karbala; a Talbot Rice Gallery da Edinburgh College of Art e a Art21 publicaram sobre os seus filmes. Pergunte aos museus e às galerias que o representam o que está atualmente em exposição. Veja Ghada Amer, Anna Boghiguian e o guia da arte africana contemporânea.
