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Pintor · Argélia

Mohammed Khadda

Mohammed Khadda (1930-1991) foi um pintor, escultor e escritor argelino, um dos fundadores da arte moderna da Argélia. A princípio autodidata, trabalhou como tipógrafo em Mostaganem antes de passar dez anos em Paris. De regresso à Argélia independente tornou-se a figura principal dos «pintores do signo», que construíram uma arte abstrata a partir das formas da escrita árabe e dos sinais amazigh, e defendeu essa arte nos seus escritos.

Atualizado a 3 min de leitura

Mohammed Khadda

Da tipografia

Mohammed Khadda nasceu em Mostaganem, na costa ocidental da Argélia, em 1930. A família era pobre, e em criança foi trabalhar na tipografia. Uma biografia diz que foi contratado numa oficina de impressão em Aïn Séfra em 1944, e que mais tarde trabalhou como modelista e tipógrafo em várias tipografias. Manusear diariamente letras de chumbo deu-lhe um sentido duradouro das formas da escrita.

Aprendeu sozinho a desenhar e a pintar, frequentou cursos noturnos e passava o tempo livre com um amigo de Mostaganem, o pintor Abdallah Benanteur. Em 1953 os dois jovens partiram juntos para Paris, onde Khadda frequentou aulas noturnas de desenho na Académie de la Grande Chaumière.

Paris

Khadda passou dez anos em Paris, com trabalhos ocasionais, a pintar e a conhecer outros artistas e escritores. Expôs em Paris a partir do final dos anos 1950, e teve a primeira exposição individual em 1961. Nesses anos a sua pintura passou da figuração para a abstração, e procurou uma linguagem moderna que viesse da cultura visual própria da Argélia e não das imagens orientalistas do período colonial.

Pintar o sinal

Em 1963, depois da independência, regressou à Argélia. A sua obra de maturidade é construída com sinais: as curvas e os traços das letras árabes, que libertou do seu significado, juntamente com motivos amazigues, as formas das oliveiras e as cores da paisagem argelina. Em 1967 participou também no Aouchem (a palavra árabe significa tatuagem), um movimento de artistas argelinos que se inspiravam em sinais populares. O poeta Jean Sénac chamou-lhe, tal como aos artistas que seguiam na mesma direção, os peintres du signe, os «pintores do sinal».

Como olhar para um Khadda: leia o traço antes do sinal. Uma linha que começa como uma letra torna-se um ramo, uma asa ou uma figura, e a superfície sustenta ambas as leituras ao mesmo tempo; os quadros constroem-se sobre um ritmo de marcas negras ou cor de terra sobre um fundo aberto. Esta leitura é própria deste site.

Khadda defendeu esta abstração numa altura em que o Estado queria uma arte realista e patriótica. Escreveu ensaios sobre arte, entre eles um de 1964 na Révolution africaine, o primeiro de três textos intitulados Éléments pour un art nouveau sobre o papel do artista depois da independência. Foi membro fundador da união nacional das artes visuais em 1964, pintou murais e desenhou cartazes e capas de livros. Fez também escultura.

Legado

Morreu em Argel a 4 de maio de 1991. Hoje é considerado, com o seu amigo M'hamed Issiakhem, um dos dois grandes fundadores da pintura argelina moderna; a sua obra está nos museus nacionais da Argélia e em coleções de todo o mundo árabe, e em março de 2020 a Google marcou com um Doodle o que teria sido o seu 90.º aniversário. Como a Escola de Cartum no Sudão e a Escola de Casablanca em Marrocos, mostrou como a escrita árabe e os sinais locais podiam tornar-se uma arte moderna.

Onde ver a obra

O Museu de Belas-Artes de Argel possui Les Casbahs ne s'assiègent pas (1961–1982). A Dalloul Art Foundation (Dafbeirut) e a Galerie El Marsa publicam biografias e obras, e o Google Arts & Culture inclui-o na sua história sobre quatro artistas argelinos emblemáticos; não confirmámos que outras peças estão expostas, por isso pergunte ao museu de Argel. O artigo sobre o Doodle no The National é uma breve introdução.

Ver também

M'hamed Issiakhem e Bachir Yellès; a pintora argelina Baya; a arte do Norte de África; e a nossa lista de pintores africanos.

Pintor

Bachir Yellès

Argélia · 1921–2022

Bachir Yellès, de Tlemcen, pintor e autor de selos, dirigiu vinte anos a escola de belas-artes de Argel e morreu em 2022 aos 100 anos.

Pintora

Baya

Argélia · 1931–1998

Baya (1931–1998) tinha dezasseis anos quando a Galerie Maeght expôs as suas pinturas em Paris, com prefácio de André Breton. A vida, as mulheres, os jardins.

Pintor

M'hamed Issiakhem

Argélia · 1928–1985

M'hamed Issiakhem perdeu um braço aos quinze anos e foi um fundador da pintura argelina moderna, amigo de Kateb Yacine e autor de notas e selos.

Guia

História da arte africana

A arte africana, do desenho de Blombos (73 000 anos) a Nok, Ifé e Benim, das máscaras e têxteis ao modernismo e aos artistas de hoje: uma história breve.