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Pintora e ativista · Egito

Inji Aflatoun

Inji Aflatoun (1924-1989), cujo nome também se escreve Efflatoun, foi uma pintora egípcia e uma ativista marxista e feminista. Aluna do surrealista Kamel El-Telmissany, expôs ainda adolescente com o grupo Arte e Liberdade e depois dedicou-se à política e a pintar a vida dos camponeses e operários egípcios. Presa de 1959 a 1963 pela sua atividade comunista, pintou as mulheres da sua prisão; estas obras são consideradas as melhores que fez. As paisagens posteriores estão cheias de luz branca.

Atualizado a 3 min de leitura

Inji Aflatoun

Uma rebelde de família abastada

Inji Aflatoun nasceu no Cairo em 1924 numa família aristocrática. Em adolescente foi aluna do pintor Kamel El-Telmissany, um dos fundadores do grupo surrealista egípcio Arte e Liberdade (al-Fann wa al-Hurriyya), e expôs com o grupo no início dos anos 1940. As suas primeiras pinturas são escuras e oníricas; o museu Mathaf de Doa possui Girl and Monster (1942) e The Girl of Port Said (1957). Estudou também com a pintora suíça Margo Veillon, que vivia no Cairo.

Nos mesmos círculos descobriu o marxismo. Tornou-se comunista e feminista, falou em nome das mulheres egípcias em congressos internacionais depois da Segunda Guerra Mundial e escreveu panfletos sobre os direitos das mulheres e a independência nacional.

Pintar o povo

A partir do final dos anos 1940 a sua pintura voltou-se para a vida real dos egípcios, num estilo devedor do realismo social do muralismo mexicano: camponesas nos campos, operários, pescadores e as suas famílias, pintados de forma direta e socialmente empenhada. Viajou pelo campo para pintar, e a sua obra passou a fazer parte da sua política.

A prisão

Em 1959 o governo do presidente Nasser prendeu centenas de comunistas. Aflatoun foi presa a 19 de junho de 1959 e detida nas prisões femininas de Abu Zaabal e Qanater, a norte do Cairo. Os relatos sobre a sua libertação divergem: a Al Jazeera diz 1962, outras fontes 1963. Pintar era proibido no início, mas convenceu as autoridades a deixá-la trabalhar, e durante os primeiros anos pintou as mulheres à sua volta: presas políticas e comuns, a dormir no dormitório apinhado, à espera, a trabalhar, a olhar pelas grades. Mais tarde pintou o que conseguia ver para além dos muros: árvores e flores vistas através das grades.

Estas pinturas da prisão, serenas e compassivas mais do que revoltadas, são hoje consideradas o ponto alto da sua obra e estão entre as imagens mais importantes da arte egípcia moderna.

Como olhar para as pinturas da prisão: comece pelos corpos, apertados e muitas vezes adormecidos, e repare em como são pouco individualizados ou dramatizados. Depois veja as grades e a luz; o confinamento é mostrado pela estrutura, não por um gesto. A calma do quadro é a posição que ela tomou perante as mulheres que pintava. Esta leitura é própria deste site.

A luz

Depois de libertada o seu estilo mudou. As suas paisagens do Nilo, do deserto e do campo são feitas de pinceladas curtas e separadas de cor sobre um fundo branco nu, de modo que a tela parece cheia de luz; os críticos chamam muitas vezes a esta a sua fase «branca», e a árvore, símbolo de liberdade, regressa. Expôs no Egito, na Europa e nos países socialistas, e morreu no Cairo em 1989. As suas memórias árabes de 1993, Mudhakirat Inji Efflatoun: Min al-Tufula ila al-Sajn, foram publicadas em inglês, com o título From Childhood to Prison, em The Life and Work of Inji Efflatoun, editado por Sultan Sooud Al Qassemi e Suheyla Takesh para a Barjeel Art Foundation e publicado pela Skira em 2025; as memórias baseiam-se numa entrevista com ela.

Onde ver a obra

O Mathaf: Museu Árabe de Arte Moderna, em Doa, possui a sua obra e publica uma entrada de enciclopédia sobre ela. O livro da Barjeel sobre a sua vida e obra e o documentário da Al Jazeera World de 2024 Painting from prison são as melhores formas de ver as pinturas da prisão para além de uma visita a um museu. Pergunte a cada instituição quais as obras expostas.

Veja também

O guia das mulheres artistas africanas; os pintores Hussein Bicar e Mahmoud Saïd; a artista contemporânea Ghada Amer; a pintora Effat Nagy; e a nossa lista de pintores africanos.

Escultor e pintor

Adam Henein

Egito · 1929–2020

Adam Henein esculpiu em granito e bronze figuras serenas e intemporais, dirigiu o restauro da Grande Esfinge e fundou o simpósio de escultura de Assuão.

Pintora

Effat Nagy

Egito · 1905–1994

Effat Nagy, irmã do pioneiro Mohamed Naghi, criou pinturas e assemblages com a magia popular, os amuletos e a madeira pintada do Egito.

Rainha e pintora

Farida do Egito

Egito · 1921–1988

A rainha Farida, primeira mulher do rei Faruk, tornou-se pintora depois do divórcio, animada pelo tio Mahmoud Saïd. O Mathaf guarda a sua obra.

Guia

História da arte africana

A arte africana, do desenho de Blombos (73 000 anos) a Nok, Ifé e Benim, das máscaras e têxteis ao modernismo e aos artistas de hoje: uma história breve.