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Pintor · Gana

Amoako Boafo

Amoako Boafo (nascido em 1984) é um pintor ganês radicado em Viena. Os seus retratos de pessoas negras — amigos, artistas, pessoas que admira — colocam as figuras sobre fundos planos e vivos e roupas estampadas, com a pele pintada com os dedos em pinceladas grossas e expressivas. A sua rápida ascensão em 2019-2020 provocou um frenesim especulativo nos leilões; desde então colaborou com a Dior e fundou o dot.ateliers, um espaço para artistas em Acra.

Atualizado a 4 min de leitura

Amoako Boafo

De Acra a Viena

Amoako Boafo nasceu em Acra em 1984. Em criança aprendeu sozinho a desenhar e a pintar, e teve vários empregos, entre eles o de tenista semiprofissional, antes de estudar no Ghanatta College of Art and Design, em Acra. Em 2014 mudou-se para Viena, onde continuou a formação na Academia de Belas-Artes. Recebeu o Prémio do Júri Walter Koschatzky em 2017 e o STRABAG Artaward International em 2019, ambos em Viena. Na Áustria começou a pintar a comunidade negra à sua volta, em parte como resposta ao racismo que encontrou e à invisibilidade das pessoas negras nos museus do país.

Pintar com os dedos

Boafo pinta a roupa e os fundos das suas figuras com pincel, em cores planas e padrões, mas modela a pele com os dedos, em pinceladas ondulantes e escultóricas. O contraste dá aos retratados uma presença física impressionante. Os seus temas são pessoas da diáspora negra, muitas vezes amigos e artistas, pintadas com dignidade, estilo e franqueza. A técnica de pintar com os dedos surgiu durante os estudos em Viena, quando procurava uma forma mais física e instintiva de trabalhar a pintura.

Como olhar para um Boafo: comece pela pele, porque é aí que passaram as mãos, e repare como as pinceladas seguem a forma de um rosto, de uma gola ou de um pulso. Depois veja o que o pincel fez: a roupa e o fundo são planos e estampados, de modo que o retratado parece sair do quadro. A roupa, a pose e o olhar são escolhidos por um pintor que muitas vezes conhece o retratado, e nota-se. Esta leitura é própria deste site.

Uma ascensão rápida

O pintor americano Kehinde Wiley terá descoberto a obra de Boafo no Instagram, e a sua galeria de Los Angeles, a Roberts Projects, incluiu-o no seu elenco e deu-lhe uma exposição individual. Os seus quadros passaram a ser revendidos em leilão por muitas vezes o que tinham custado, um surto especulativo nos preços de revenda. O recorde em leilão da sua obra é Hands Up (2018), vendido na Christie's de Hong Kong a 1 de dezembro de 2021 por 3,42 milhões de dólares. Desde então trabalhou com grandes galerias e museus. A casa Dior fez dele musa e colaborador da sua coleção masculina primavera-verão de 2021 sob a direção de Kim Jones, que visitou o seu ateliê em Acra e se inspirou no quadro Green Beret; amigos de Boafo em Acra vestem as peças no filme da coleção.

Museus e galerias

Soul of Black Folks, a sua primeira exposição individual num museu, reuniu mais de trinta obras realizadas entre 2016 e 2022. Organizada pelo Museum of the African Diaspora de São Francisco com o Contemporary Arts Museum Houston, e com curadoria de Larry Ossei-Mensah, viajou para Houston em 2022 e para o Seattle Art Museum e o Denver Art Museum em 2023. Em 2024 o Belvedere de Viena apresentou Proper Love, a sua primeira exposição num museu europeu, com mais de cinquenta obras, algumas mostradas ao lado de quadros de Egon Schiele e Gustav Klimt. A Gagosian representa-o: a sua primeira mostra com a galeria abriu em Nova Iorque em março de 2023, uma seleção viajou para Acra em maio de 2023 e uma exposição em Londres seguiu-se em abril de 2025. Na Cidade do México, a galeria Mariane Ibrahim mostrou no início de 2024 os seus primeiros mosaicos e vitrais.

dot.ateliers

Em dezembro de 2022 abriu o dot.ateliers em Acra, num edifício de três andares desenhado pelo arquiteto David Adjaye, com galeria, ateliês, biblioteca de arte e café. Em 2024 acrescentou uma residência para escritores e curadores, dot.ateliers | Ogbojo. Faz parte de uma geração de artistas ganeses que investem em instituições no seu país.

Onde ver a obra

O dot.ateliers, em Acra, é o lugar para ver as exposições atuais no Gana, e o Museum of the African Diaspora, o Seattle Art Museum e o Denver Art Museum mostraram a exposição itinerante. A Gagosian e a Mariane Ibrahim anunciam as exposições em curso, e as casas de leilões publicam os catálogos das suas vendas.

Ver também

Ibrahim Mahama; Njideka Akunyili Crosby; a arte africana contemporânea; e a nossa lista de pintores africanos.

Artista

Ibrahim Mahama

Gana · 1987–

Ibrahim Mahama cobre edifícios com sacos de juta cosidos que transportaram o cacau e o carvão do Gana, e criou centros de arte em Tamale, a sua cidade natal.

Pintora e poetisa

Sharon Dede Padi

Gana · 1976–2026

Sharon Dede Padi (Padiki), pintora e poetisa ganesa, bateu o recorde do Guinness da maior pintura com impressões de folhas. Morreu em julho de 2026, aos 50.

Pintor, escultor e designer

Amon Kotei

Gana · 1915–2011

Amon Kotei, pintor, escultor, topógrafo e músico ganês, desenhou o brasão de armas do Gana, aprovado em 1957. Morreu em 2011, aos 96 anos.

Guia

Arte africana contemporânea

O que é a arte africana contemporânea, as exposições e curadores que a levaram ao mundo, os artistas a conhecer e os museus, bienais e feiras.