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Pintora e poetisa · Gana

Sharon Dede Padi

Sharon Dede Padi (1976-2026), conhecida como Padiki, foi uma artista visual e poetisa ganesa, célebre pelas pinturas feitas imprimindo folhas verdadeiras. Em Acra criou a maior pintura com impressões de folhas do mundo, reconhecida pelo Guinness World Records, e foi uma voz de destaque das artes criativas do Gana. Morreu em julho de 2026, aos 50 anos.

Atualizado a 3 min de leitura

Sharon Dede Padi

Da arquitetura às folhas

Sharon Dede Padi nasceu no Gana a 24 de junho de 1976. Estudou nos liceus femininos de Krobo e depois de Aburi, formou-se em arquitetura na Kwame Nkrumah University of Science and Technology, em Kumasi, e trabalhou em gestão de projetos antes de a arte se tornar a sua profissão. Com o nome de Padiki desenvolveu uma técnica de impressão com folhas, e foi também poetisa e falou muitas vezes de criatividade, das mulheres nas artes e do ambiente.

Como as imagens são feitas

Cada imagem é construída com folhas verdadeiras. Cobria uma folha de tinta e pressionava-a contra a tela, de modo que o contorno, o pé e as nervuras ficavam impressos numa só marca; muitas marcas assim, sobrepostas e viradas em várias direções, formam uma figura, uma planta, uma paisagem ou um padrão. De perto veem-se as folhas, cada uma diferente; de longe, a imagem que formam. Os seus temas eram a natureza e a vida, a história e a cultura do Gana, e o próprio método trazia uma mensagem sobre o ambiente: a matéria do quadro era colhida, não comprada.

O recorde

A sua obra mais conhecida é uma reinterpretação da bandeira do Gana feita inteiramente de impressões de folhas e pintada, segundo o ministério do Turismo do Gana, em 33 horas. Feita em Acra e com 54,33 metros quadrados, foi reconhecida pelo Guinness World Records como a maior pintura com impressões de folhas, o primeiro recorde do género.

Repare nas folhas que escolheu. As impressões vêm de plantas colhidas por todo o Gana — nim, banana-pão, taioba, mandioca, cacau, café, karité, laranjeira e limoeiro — e, como disse a Ghana Association of Visual Artists, a obra celebrava a alimentação do país, as suas plantas medicinais, os seus ritos e as suas festas através das cores da bandeira. Ela apresentou-a também como uma campanha contra a desflorestação e a mineração ilegal, uma forma de dar voz às próprias plantas. Um símbolo nacional feito de culturas alimentares e plantas medicinais colhidas por todo o país diz algo sobre o que mantém uma nação unida.

Exposições e trabalho com outros

Em dezembro de 2022 fundou a Padiki Art Gallery, onde mostrava o seu trabalho e orientava jovens artistas. Entre as suas últimas exposições, as suas correntes simbólicas foram mostradas no castelo de Osu, o antigo forte do tráfico de escravos em Acra, na comemoração ganesa do Juneteenth. Também pintava ao vivo diante do público: em maio de 2026 apresentou Two Kingdoms, One Africa para o rei Mswati III de Essuatíni. Preparava Unity in Leaves para o Commonwealth Earth Canvas, num festival em Milton Keynes, na Grã-Bretanha, quando morreu. Foi distinguida como mulher mais destacada na arte nos Feminine Ghana Achievement Awards e, em 2022, entrou para a administração da Ghana Digital Centres Limited.

Morte e homenagens

Dias antes de morrer, o Okuapehene, Oseadeeyo Kwasi Akuffo III, chefe supremo de Akuapem, e os seus anciãos nomearam-na embaixadora do 200.º aniversário do festival Odwira de Akuapem; no lançamento do festival, revelou um retrato dele pintado ao vivo. Morreu a 7 de julho de 2026, aos 50 anos. A Ghana Tourism Authority, a Ghana Association of Visual Artists e o seu antigo liceu prestaram-lhe homenagem, e a ministra do Turismo, da Cultura e das Artes Criativas visitou a família. O funeral realizou-se a 26 de setembro de 2026 na esplanada da State House, em Acra.

Onde ver a sua obra

A bandeira recorde e as outras impressões de folhas foram feitas e mostradas no Gana; a Padiki Art Gallery, que ela fundou, era a casa da sua obra.

Veja também

Outros artistas ganeses neste site: Ibrahim Mahama e Amoako Boafo; o nosso guia das mulheres artistas africanas; e a nossa lista de pintores africanos.

Pintor

Amoako Boafo

Gana · 1984–

Amoako Boafo, pintor ganês radicado em Viena, modela com os dedos a pele dos seus retratados negros. A sua ascensão agitou os leilões; fundou o dot.ateliers.

Artista

Ibrahim Mahama

Gana · 1987–

Ibrahim Mahama cobre edifícios com sacos de juta cosidos que transportaram o cacau e o carvão do Gana, e criou centros de arte em Tamale, a sua cidade natal.

Pintor, escultor e designer

Amon Kotei

Gana · 1915–2011

Amon Kotei, pintor, escultor, topógrafo e músico ganês, desenhou o brasão de armas do Gana, aprovado em 1957. Morreu em 2011, aos 96 anos.

Guia

Arte africana contemporânea

O que é a arte africana contemporânea, as exposições e curadores que a levaram ao mundo, os artistas a conhecer e os museus, bienais e feiras.