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Movimento escultórico · Zimbabué

Escultura shona: os escultores em pedra do Zimbabué

«Escultura shona» é o nome dado durante muito tempo à escultura moderna em pedra do Zimbabué, que se desenvolveu a partir do final dos anos 1950 em torno da oficina da National Gallery de Salisbury (hoje Harare), sob o seu diretor Frank McEwen, e na comunidade de escultores de Tengenenge, fundada em 1966. Talhando serpentina e outras pedras locais, artistas como Joram Mariga, Nicholas Mukomberanwa, Henry Munyaradzi, Sylvester Mubayi e Agnes Nyanhongo fizeram dela um dos movimentos de arte moderna mais conhecidos de África.

Atualizado a 3 min de leitura

Um nome e os seus problemas

O shona é o maior grupo linguístico do Zimbabué, e muitos dos escultores eram shona. Mas não todos: Tengenenge, em particular, atraiu escultores do Malawi, de Moçambique, da Zâmbia e de Angola, além do Zimbabué. A crítica observou também que «escultura shona» faz um movimento moderno dos anos 1950 parecer uma antiga tradição étnica. Muitos autores e artistas preferem hoje falar de escultura em pedra do Zimbabué. Os dois nomes estão em uso, e este artigo usa ambos.

A pedra antiga: as aves do Grande Zimbabué

O Zimbabué tem, de facto, uma antiga tradição de escultura em pedra. No Grande Zimbabué, a cidade de pedra que floresceu aproximadamente entre os séculos XI e XV, os escultores fizeram aves de esteatite montadas em altas colunas. Foram encontradas oito no sítio, e a ave do Zimbabué é hoje o emblema nacional, na bandeira e no brasão do país. O movimento moderno não descende diretamente dela, mas foi buscar força a essa história.

A oficina da National Gallery

A National Gallery da Rodésia — então Rhodes National Gallery — abriu em Salisbury em 1957, tendo como primeiro diretor Frank McEwen, um gestor de arte britânico. McEwen criou na galeria uma oficina, a Workshop School, onde artistas negros recebiam materiais, espaço e incentivo para trabalhar a partir da sua própria imaginação e não de modelos académicos.

Entre os primeiros a talhar pedra esteve Joram Mariga (1927–2000), funcionário agrícola muitas vezes considerado o pai do movimento. Outros que passaram pela oficina ou pelo círculo de McEwen foram Nicholas Mukomberanwa (1940–2002), Henry Munyaradzi (1931–1998), Sylvester Mubayi (nascido em 1942) e John Takawira (1938–1989).

McEwen promoveu a obra no estrangeiro sem descanso. Em 1971, uma exposição no Museu Rodin, em Paris, foi recebida com entusiasmo, e seguiram-se mostras em Londres e Nova Iorque.

Tengenenge

Em 1966, Tom Blomefield, dono de uma plantação de tabaco e de uma mina de crómio em Tengenenge, a norte de Harare, viu o negócio arruinado pelas sanções internacionais contra o governo rodesiano. O escultor Crispen Chakanyuka chamou-lhe a atenção para um afloramento de serpentina dura na propriedade. Blomefield transformou a quinta numa comunidade de escultores, onde centenas de artistas viveram e esculpiram nas décadas seguintes. Bernard Matemera (1946–2002) foi um dos mais conhecidos.

Pedras e estilo

A pedra preferida é a serpentina, em cores do verde ao negro; a variedade negra mais dura e fina chama-se springstone. Os escultores usam também a verdite verde, a pedra-opala multicolor e a lepidolite violeta. O trabalho faz-se com ferramentas manuais: cinzéis, limas e grosas, e depois lixa. Por fim a pedra é aquecida e encerada, o que aprofunda a cor e faz sobressair o polimento, muitas vezes em contraste com zonas deixadas em bruto.

O estilo é simplificado e arredondado: cabeças, famílias, mães e filhos, animais e espíritos apanhados em plena metamorfose entre formas humanas e animais.

Depois da independência

O Zimbabué tornou-se independente em 1980, e a escultura tornou-se um orgulho nacional e uma exportação importante. Uma segunda geração inclui Agnes Nyanhongo (nascida em 1960), uma das mulheres que se impuseram num campo dominado por homens, e Dominic Benhura (nascido em 1968), conhecido pelas figuras vivas de crianças e famílias. Grandes exposições ao ar livre na Europa e na América do Norte, e parques de esculturas em Harare, mantiveram a obra visível. O mercado encheu-se também de peças feitas em série, pelo que a qualidade varia muito.

Relacionados

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Forma de arte

Escultura africana

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Tradição escultórica

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Região

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Escultor

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