Escultor · Marrocos
Bruno Catalano
Bruno Catalano (nascido em 1960) é um escultor francês nascido em Khouribga, Marrocos, numa família siciliana. É conhecido por Les Voyageurs (Os Viajantes), figuras de bronze em tamanho real com malas, cujos corpos estão rasgados, com grandes partes que simplesmente faltam. Dez delas estiveram nos cais de Marselha em 2013, quando a cidade foi Capital Europeia da Cultura.
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De Khouribga a Marselha
Bruno Catalano nasceu em 1960 em Khouribga, a cidade mineira dos fosfatos no centro de Marrocos, o mais novo de três filhos de uma família de origem siciliana. Em 1970 a família mudou-se para Marselha. O pai formou-o como eletricista e, aos vinte anos, foi para o mar, primeiro nos navios de uma companhia de navegação e depois no serviço francês de salvamento marítimo, a SNSM.
O barro e depois o bronze
Chegou à escultura através de aulas de modelação em Marselha, trabalhando primeiro o barro. Com o tempo montou o seu próprio ateliê com o seu próprio forno, fez da escultura a sua ocupação principal e passou do barro a grandes figuras fundidas em bronze.
A sua marca nasceu de um acidente. Em 2004 uma figura de Cyrano em que trabalhava saiu com um defeito e, em vez de recomeçar, cortou a parte danificada, deixando um buraco no corpo. A partir daí fez desse vazio o centro da sua obra: homens e mulheres de casaco e chapéu, com uma mala ou um saco, a quem faltam o peito e as pernas, de modo que através deles se vê a rua ou o mar. Catalano diz que falam de emigração e de viagem — da parte de nós que fica para trás quando partimos e que, ainda assim, continua ligada a nós.
Como olhar para um Voyageur
Dê-lhe a volta. O meio do corpo simplesmente desapareceu, e o que está por trás — um porto, uma praça, uma multidão — preenche o vazio e muda a cada passo, de modo que duas pessoas nunca veem exatamente a mesma escultura. Depois repare no que segura a figura: muitas vezes a mala ou o saco, ligado ao corpo por uma fina tira de metal, é tudo o que une a metade de cima à de baixo. O viajante é literalmente sustentado pela bagagem, e Catalano descreveu a mala nesses mesmos termos: um recipiente de memórias que dá estabilidade a quem a leva, raízes que viajam consigo. É difícil não ler as figuras à luz da sua própria vida: uma criança que deixou Marrocos por França, numa família que já tinha deixado a Sicília, e um jovem que depois passou anos no mar.
Marselha e mais além
Em 2013, quando Marselha foi Capital Europeia da Cultura, dez Voyageurs em tamanho real foram instalados ao longo da frente marítima, e as suas imagens espalharam-se pela internet. Em 2019, durante a Bienal de Veneza, cerca de trinta foram mostrados em vários pontos da cidade. As suas galerias mostraram desde então as figuras em Paris, em Nova Iorque — onde as Galeries Bartoux lhe dedicaram uma exposição individual no SoHo em 2024 — e na Ásia. Um Voyageur está agora debaixo de água: foi submerso no museu subaquático ao largo de Marselha, obra do último dos dez artistas a contribuir.
Onde ver a sua obra
Le Grand Van Gogh, um bronze pintado com cerca de quatro metros de altura, ergue-se desde 2020 na esquina da 10th Avenue com a 1st Street SE, em Calgary, no Canadá, à frente de um edifício residencial da Strategic Group: um jovem Vincent van Gogh a caminhar com um saco na mão e uma tela presa às costas, sem o meio do corpo. Outros dois Voyageurs estão no átrio do edifício. Em Marselha, Le Voyageur pode ser visto por quem faz snorkeling ou mergulho no Musée subaquatique, um percurso de dezasseis esculturas debaixo de água ao largo da cidade. De resto, as suas figuras são mostradas pelas suas galerias, por vezes ao ar livre, como numa exposição de verão de obras monumentais em Arcachon.
Veja também
Ousmane Sow, outro escultor cujas figuras se veem melhor no espaço público; Mahi Binebine, pintor e escultor marroquino; a escultura africana; e a arte do Norte de África.


