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A arte rupestre africana

África tem uma das artes rupestres mais antigas e abundantes do mundo. Um desenho tracejado em pedra da gruta de Blombos, na África do Sul, tem cerca de 73 000 anos; placas de pedra pintadas da gruta Apollo 11, na Namíbia, datam de há cerca de 25 000 a 30 000 anos; e centenas de milhares de pinturas e gravuras — no Sara, no Drakensberg, na Namíbia, na Tanzânia e no Corno de África — registam animais, pessoas e crenças ao longo de milénios.

Publicado a 3 min de leitura

As imagens mais antigas

Em 2018, investigadores publicaram uma pequena lasca de pedra da gruta de Blombos, na costa sul da África do Sul, marcada com um padrão tracejado a ocre vermelho há cerca de 73 000 anos — o mais antigo desenho humano conhecido. A mesma gruta já tinha revelado pedaços de ocre gravados com linhas cruzadas e contas de concha de idade semelhante.

Na gruta Apollo 11, no sul da Namíbia — assim chamada porque foi escavada em 1969, quando a missão Apollo 11 regressava da Lua —, os arqueólogos encontraram placas de pedra pintadas com animais a carvão e ocre, datadas de há cerca de 25 000 a 30 000 anos. São a arte figurativa datada mais antiga de África.

O Sara, quando o deserto era verde

Há aproximadamente 10 000 a 5000 anos, o Sara era uma terra de lagos e pastagens, e quem lá vivia deixou nas suas rochas um registo imenso. No Tassili n'Ajjer, no sudeste da Argélia, Património Mundial da UNESCO desde 1982, sobrevivem mais de 15 000 pinturas e gravuras. Os especialistas agrupam a arte rupestre sariana em grandes períodos que acompanham a mudança do clima: gravuras de grandes animais selvagens como elefantes e girafas; figuras humanas pintadas «de cabeça redonda»; cenas de pastores com as suas manadas de gado; depois, à medida que o deserto avançava, cavalos e carros, e por fim camelos.

O Tadrart Acacus, na Líbia, guarda riquezas semelhantes, e no Gilf Kebir, no sudoeste do Egito, as figuras pintadas da «gruta dos Nadadores» tornaram-se famosas graças ao romance e ao filme O Paciente Inglês.

África Austral: as pinturas san

Nas montanhas do uKhahlamba-Drakensberg, na África do Sul e no Lesoto, os abrigos rochosos guardam dezenas de milhares de pinturas dos antepassados dos san, caçadores-recolectores que lá viveram durante milénios. O elande, o maior dos antílopes, aparece mais do que qualquer outro animal. Muitos estudiosos, seguindo o arqueólogo David Lewis-Williams, leem grande parte da arte rupestre san como ligada à experiência de curandeiros em transe — uma interpretação que transformou o estudo da arte rupestre em todo o mundo, embora continue em debate.

Outros grandes sítios são as colinas de Tsodilo, no Botsuana, com mais de 4500 pinturas e por vezes chamadas «o Louvre do deserto»; as gravuras de Twyfelfontein, na Namíbia; e os montes Matobo, no Zimbabué.

África Oriental e o Corno de África

Os abrigos pintados de Kondoa, na Tanzânia, e das colinas de Chongoni, no Malawi — onde as pinturas mais recentes estão ligadas aos ritos de iniciação dos agricultores chewa —, são Património Mundial. Em Laas Geel, na Somalilândia, pinturas de gado com o pescoço enfeitado e de pessoas de braços erguidos, dadas a conhecer por arqueólogos franceses em 2002, estão entre as mais bem conservadas de África.

Visitar a arte rupestre

A maioria dos sítios é frágil e deve ser visitada com um guia local. Não toque nas pinturas, e nunca as molhe para avivar as cores numa fotografia — uma prática outrora comum que danifica o pigmento. O Trust for African Rock Art (TARA), fundado em Nairobi em 1996, trabalha para documentar e proteger sítios em todo o continente.

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Guia

História da arte africana

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Forma de arte

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