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Música e ritual · Marrocos

Gnawa (Gnaoua)

A arte gnawa (ou gnaoua) é uma tradição musical, espiritual e terapêutica marroquina criada pelos descendentes de pessoas escravizadas trazidas da África subsariana. Conduzida por um maâlem no guembri de três cordas, com as castanholas de ferro qraqeb e cantos de pergunta-resposta, acompanha as lilas, cerimónias noturnas de transe. A UNESCO inscreveu-a como património cultural imaterial da humanidade em dezembro de 2019.

Publicado a 2 min de leitura

Raízes

A cultura gnawa foi criada por pessoas levadas da África subsariana para Marrocos pelo tráfico transariano de escravos e pelos seus descendentes. Ao longo dos séculos combinou práticas africanas ancestrais com a cultura árabe-muçulmana e amazigh (berbere) numa confraria com música, santos, espíritos e rituais próprios.

O som

Três elementos definem a música gnawa:

  • O guembri (também chamado sintir ou hajhouj): um alaúde baixo de três cordas com tampo de pele de camelo, tocado pelo mestre, o maâlem. As suas linhas graves e circulares sustentam a música, e o tocador bate também na pele para marcar o ritmo.
  • Os qraqeb: pares de pesadas castanholas de ferro tocadas pelos outros músicos, que produzem um ritmo metálico, implacável e galopante.
  • As vozes: o maâlem canta e um coro responde, em cânticos dirigidos a santos e espíritos.

A repetição tem um propósito. A música gnawa foi feita para levar os participantes ao transe.

A lila

O ritual central é a lila, uma cerimónia noturna de cura e devoção. Segue uma sequência de cânticos, cada um associado a uma família de espíritos e a uma cor; queima-se incenso, e os participantes podem entrar em transe quando soa a música do seu espírito. A cerimónia é conduzida pelo maâlem com uma mqadma, uma mulher que organiza o rito.

Do ritual ao palco mundial

A partir dos anos 1960 e 1970, músicos gnawa tocaram com músicos de jazz e rock que visitavam Marrocos, e a fusão nunca mais parou. O maâlem Mahmoud Guinia (1951–2015), de uma célebre família de músicos de Essaouira, tocou com artistas internacionais, entre eles Carlos Santana.

Desde 1998 a cidade costeira de Essaouira acolhe o Festival Gnaoua e Músicas do Mundo, que junta mestres gnawa a músicos de jazz, blues e world music e atrai multidões todos os anos. Em dezembro de 2019 a UNESCO inscreveu a arte gnawa na sua Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade.

Relacionados

O equivalente visual da mistura gnawa de fontes africanas e marroquinas está na obra de Farid Belkahia e da Escola de Casablanca. Para a tradição vizinha da Argélia, veja o raï; para os ritmos de dança da África Ocidental, o mbalax.

Género musical

Raï

Argélia · 1920s–

O raï nasceu como canção rural em torno de Orã, tornou-se o pop de Cheb Khaled e Cheb Mami e foi inscrito pela UNESCO como canção popular da Argélia em 2022.

Pintor

Farid Belkahia

Marrocos · 1934–2014

Farid Belkahia (1934–2014) dirigiu a escola de belas-artes de Casablanca, pintou com hena sobre pele e deu à arte moderna marroquina os seus materiais.

Movimento artístico

Escola de Casablanca

Marrocos · 1962–1974

A partir de 1962, Farid Belkahia, Mohamed Melehi e Mohamed Chabâa fizeram da escola de Casablanca um laboratório de arte moderna com raízes marroquinas.

Género musical

Mbalax

Senegal · 1970s–

O mbalax é o pop nacional do Senegal: tambores sabar wolof com música cubana, soul e rock, tornado famoso por Youssou N'Dour e a Super Étoile de Dakar.