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Pintor · RD Congo

Chéri Samba

Chéri Samba é um pintor congolês, nascido em 1956, que começou como pintor de letreiros em Kinshasa e se tornou um dos artistas africanos mais conhecidos da sua geração. Os seus quadros vivos, próximos da banda desenhada, trazem textos em francês e lingala e comentam com humor a política, o dinheiro, o sexo, a saúde e o próprio mundo da arte.

Atualizado a 3 min de leitura

Dos painéis publicitários à tela

Chéri Samba nasceu em 1956 em Kinto M'Vuila, na atual República Democrática do Congo. Em 1972, com cerca de dezasseis anos, deixou a escola para ser aprendiz dos pintores de tabuletas da avenida Kasa-Vubu, em Kinshasa, pintando letreiros de lojas e publicidade. Em 1975 tomou emprestado da banda desenhada o balão de fala, que lhe permitiu juntar às imagens tanto narrativa como comentário. Por volta de 1979 dedicou-se por inteiro à sua própria pintura.

Essa formação moldou tudo o que veio depois. As suas imagens são feitas para serem lidas num relance, do outro lado da rua: contornos fortes, cores vivas e lisas e blocos de texto que dizem o que estamos a ver e o que devemos pensar.

Pintura que fala

O texto é a sua assinatura. Legendas, balões e longos parágrafos explicativos em francês e em lingala inscrevem-se na imagem, de modo que um quadro pode ser ao mesmo tempo uma piada, um editorial e uma lição de moral. A partir do final dos anos 1980, ele próprio passou a ser o principal tema das suas pinturas. Os temas vão da vida das ruas de Kinshasa e das relações amorosas à prevenção da sida, à corrupção, à migração e ao mercado mundial da arte. Pinta-se muitas vezes a si próprio na cena, como testemunha, comentador ou alvo.

Como olhar para um Samba: leia primeiro o texto, como ele pretende, e depois veja quem fala e de quem se fala. As personagens têm em geral um papel claro — o narrador, a vítima, o tolo — e o artista aparece muitas vezes como uma delas. Os quadros são construídos como uma página de jornal, com um título, uma história e uma moral. Esta leitura é própria deste site.

Os pintores populares de Kinshasa

Samba é uma das figuras fundadoras da chamada pintura popular congolesa, um movimento de artistas de Kinshasa em grande parte autodidatas — entre eles Moké, Chéri Chérin e Pierre Bodo — que, a partir dos anos 1970, pintaram a vida, os escândalos e a história da cidade para compradores locais, num estilo mais próximo da publicidade e da banda desenhada do que da escola de belas-artes.

Carreira internacional

A afirmação internacional de Samba chegou com Magiciens de la Terre, com curadoria de Jean-Hubert Martin, no Centro Pompidou, em Paris, em 1989. A Fondation Cartier, em Paris, tornou-se um apoio duradouro: convidou-o para uma residência em 1990 e em 2004 dedicou-lhe a sua primeira exposição individual aí, J'aime Chéri Samba, com trinta e cinco pinturas. A sua obra faz parte das coleções do Centro Pompidou e do Museum of Modern Art de Nova Iorque, entre outras.

Em 1997 concluiu Quel avenir pour notre art ?, um grande tríptico em que ele e Picasso entram cada um no Centro Pompidou com um quadro debaixo do braço; Picasso fica exposto no museu enquanto Samba sai com a sua tela. Costuma ler-se como um comentário, com humor, sobre a forma como o mundo da arte trata os artistas africanos. O Musée Maillol, em Paris, mostrou painéis seus em 2023-2024, no que foi apresentado como a primeira retrospetiva da sua obra, abrangendo quarenta anos.

Onde ver a obra

O Centro Pompidou, o Museum of Modern Art e a Fondation Cartier possuem a sua obra, e o Zeitz MOCAA, na Cidade do Cabo, inclui-o entre os seus artistas; pergunte a cada um quais os quadros expostos. A exposição do Musée Maillol terminou.

Porque é importante

Samba provou que um pintor formado na rua podia falar com o mundo sem mudar de linguagem. A sua mistura de imagem e texto dirige-se ao mesmo público de Kinshasa que a rumba congolesa, a outra grande arte popular da cidade. Compare a sua ambição pública, ao ar livre, com a escultura monumental de Ousmane Sow, exposta numa ponte de Paris em 1999.

Movimento artístico

Pintura popular congolesa

RD Congo · 1970s–

Desde os anos 1970, pintores autodidatas de Kinshasa como Chéri Samba, Moké e Chéri Chérin pintam a vida e a história da cidade na linguagem dos cartazes.

Género musical

Rumba congolesa

RD Congo · República do Congo · 1940s–

Nascida em Kinshasa e Brazzaville nos anos 1940, a rumba congolesa deu a África Franco, Tabu Ley e Papa Wemba. A UNESCO inscreveu-a como património em 2021.

Escultor

Ousmane Sow

Senegal · 1935–2016

Fisioterapeuta que se tornou escultor, Ousmane Sow criou figuras maiores do que o natural, lutadores nuba e guerreiros massai, vistas por três milhões em Paris.

Guia

Mulheres artistas africanas

Catorze mulheres artistas de África que marcaram a arte moderna e contemporânea, de Baya, Ladi Kwali e Inji Efflatoun a Wangechi Mutu e Zanele Muholi.